Vamos fazer um filme

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Piangers: "Dizem que filhos vêm sem manual, mas é mentira: o manual é o próprio filho. Quanto mais olhamos para eles, ouvimos, prestamos atenção, mais simples é nos moldarmos bons pais" (Foto: Freepik)

Comecei a escrever sobre minhas filhas 10 anos antes de mostrar os textos publicamente. Foram dez anos de reflexões, aprendizados, erros e acertos. Quando o livro foi lançado imaginei que pouca gente ia se interessar. Em um país que não incentiva a participação dos pais, que ignora a figura paterna como cuidadora, que dá apenas cinco dias de licença paternidade, que tem 11 milhões de mães sozinhas, imaginei que falar sobre paternidade seria um fracasso total.

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Mas o livro encontrou uma audiência em pais apaixonados, que se sentiam excluídos da experiência mais impactante da vida de um homem, ser pai. E, assim, o livro vendeu 500 mil cópias e vai virar filme.

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Eu não me importava se a produtora faria uma comédia, um drama, se o personagem teria meu nome, se o filme seria um blockbuster ou um filme pequeno e mais artístico. A única coisa que me importava era que o filme passasse a mensagem principal: nós homens não estamos preparados, mas podemos ser cuidadores e isso torna nossa vida mais feliz, além de melhorar a vida das pessoas ao nosso redor. Em tudo o que faço tenho o mesmo objetivo: inspirar o melhor pai que existe dentro das pessoas.

Quando escrevi o livro eu queria apenas registrar o que eu aprendia diariamente com as minhas filhas, e com a paternidade. Dizem que filhos vêm sem manual, mas é mentira: o manual é o próprio filho. Quanto mais olhamos para eles, ouvimos, prestamos atenção, mais simples é nos moldarmos bons pais. O objetivo do livro era apenas mostrar para o mundo como a paternidade pode ser linda e encantada, cheia de desafios e frustrações, mas também cheia de alegria e risada. O filme capta essa mensagem, transforma a história em algo ainda mais bonito e emocionante, e ainda por cima tem o potencial de alcançar mais pessoas, em todo o Brasil.

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É surreal quando você escreve um livro contando sua história e ele acaba virando filme. Parece um sonho, uma daquelas coisas que acontece raramente com algum desconhecido, nunca com a gente. Na aleatoriedade das realidades paralelas, essa aconteceu. É um filme que quer transformar o mundo, aproximar pais e filhos, renovar casamentos. É um filme que quer inspirar o melhor pai que existe dentro da gente.

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Se isso é impossível eu não sei. Eu achava impossível acontecer tudo o que já aconteceu até agora. Então, vai saber. Às vezes, as estrelas se alinham e aquilo que parece impossível acontece.

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