Referência em educação para todo o Brasil

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Glauco José Côrte, 74 anos, preside desde 2011 a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Profundo conhecedor da economia e suas oscilações de humor, a história do executivo se confunde com a da maior entidade empresarial de SC. Pai de três filhos e cinco netos, casado com dona Silvia há 50 anos, Glauco é, antes de mais nada, um homem de fé. Discreto, dono de um gestual sóbrio e fala comedida, o católico apostólico romano devoto de São José pode discorrer horas sobre o setor produtivo, gargalos da infraestrutura ou desafios da indústria no futuro. Sempre com números precisos na ponta da língua. Dedica-se mais de 12 horas à função diariamente. Mas o que faz o seu olho brilhar são os resultados de uma revolução silenciosa que está ocorrendo no Estado: o Movimento Santa Catarina pela Educação, da qual foi idealizador há seis anos.

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Um estudo sobre o nível de escolaridade do trabalhador na indústria chamou a atenção. Em 2011, apenas 49,2% deles em SC tinham a chamada escolaridade básica completa. Ou seja, haviam concluído o ensino médio. Num setor em que a competitividade global é cada vez mais acirrada, em que indústrias investem cada vez mais em tecnologia, o presidente da Fiesc percebeu a necessidade de desenvolver um projeto para elevar o nível de conhecimento dos colaboradores. O risco de SC perder a condição de polo de excelência era iminente.

O recente balanço apresentado pelo Movimento pela Educação é a prova de que ele estava certo. Em apenas cinco anos, o número de funcionários da indústria com escolaridade básica completa saltou para 59.3%, um incremento de 20,5%. Isso num universo de 750 mil pessoas. São números similares a países como a Coréia do Sul, que investiu pesado em educação como forma de desenvolvimento econômico e hoje colhe os frutos.

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O movimento tomou tamanha dimensão que despertou o interesse do BID. O Banco Interamericano doou US$ 330 mil a fundo perdido para ampliação do programa, que já opera em 34 escolas públicas em todas as regiões do Estado. Somente neste ano são 60 mil alunos matriculados em colégios do Estado ou municipais. Toda a formação é gratuita e focada no desenvolvimento de um profissional preparado para os desafios da indústria do século 21.

A exemplo de José, seu santo de devoção, Glauco é um pai dedicado de corpo e alma. Hoje Santa Catarina é o único estado do Brasil a ter no calendário oficial, o Dia da Família, celebrado sempre no segundo sábado de abril. Neste ano, por exemplo, 800 mil pessoas participaram da programação em todas as regiões do Estado.

— Para o Movimento pela Educação dar certo é preciso contar com o envolvimento de toda a família — diz o presidente da Fiesc.

O Movimento é tão bem estruturado que conta com um conselho de governança, vice-presidentes regionais e jovens embaixadores nas principais cidades. Atualmente, o projeto cresceu e se multiplicou. A Fecomércio, por exemplo, estendeu a ação aos trabalhadores do setor. Pernambuco e Rondônia também querem implantar o mesmo modelo.

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Para Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, parceira de primeira hora do movimento, o projeto já é referência nacional. 

— O Movimento Santa Catarina pela Educação é um exemplo para o Brasil, de como os empresários, o poder público vinculado à educação e a sociedade em geral, juntos, contribuem para efetivar o direito à educação de qualidade — afirma Viviane.

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A Imagem do presidente da Fiesc está tão associada ao movimento que hoje ele é tratado nos eventos pelo Brasil afora como o Senhor Educação.

Eduardo Deschamps, secretário de Estado da Educação, e também entusiasta do programa, ressalta que o Movimento atua na integração de diversos setores tanto da iniciativa privada quanto governamental.

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_ Não dá para imaginar atualmente que teremos um ganho de qualidade na formação dos catarinenses somente por obra do Estado. Esta integração é pioneira e certamente está ajudando muito na melhoria dos indicadores da educação no Estado.

E, mais uma vez, contra fatos não há argumentos: No universo de 2,2 milhões de trabalhadores ativos no Estado, a escolaridade básica completa saltou de 60,4 em 2011 para 69,7% em 2016. Um crescimento de 15,4% neste período.

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Tudo porque Glauco José Côrte sempre teve fé na educação como ferramenta de transformação econômica, social e, por que não, até mesmo espiritual.

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