Na seara econômica, 2017, apesar de tudo, termina com mais pontos positivos do que negativos. O Brasil deixou para trás a mais grave recessão de sua história recente e, embora ainda estejam distantes dos volumes de 2013, na era pré-crise, todos os principais indicadores do setor produtivo – produção industrial, vendas, nível de emprego e operações de comércio exterior – pararam de piorar.
A maioria deles, aliás, apresentou melhora, mesmo pequena. E do campo ainda veio uma safra recorde.
Num ano em que a Operação Carne Fraca abalou as estruturas do agronegócio, colocando em xeque a credibilidade de um dos pilares de sustentação do PIB nacional, e a cúpula do governo federal uma vez mais entrou na mira de delações premiadas e gravações de conversas nada republicanas, incluindo aí denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer e especulações de um novo processo de impeachment, o Brasil mais uma vez sobreviveu. Com feridas, é claro, mas sem grandes mutilações.
A resiliência do setor produtivo brasileiro, e especialmente o catarinense, que apresentou resultados muito superiores à média nacional ao longo de todo ano, é algo a ser estudado. Há quem garanta que o mercado cansou da crise. E mesmo que as estratégias de crescimento e de investimentos do setor privado dependam também do ambiente macroeconômico, que por sua vez está umbilicalmente ligado a decisões tomadas pelo governo, o que se percebeu muitas vezes ao longo do ano foi um movimento (ou pelo menos uma tentativa) de descolamento do caos político. Se é na crise onde residem as oportunidades, a de agora talvez tenha servido para deixar bem claro que isso é possível.
Para o ano que chega as previsões são otimistas. Analistas apostam que a taxa básica de juros (Selic) caia para menos de 7%, que a inflação ficará mais próxima da meta do governo – cerca de 4% – e que o nível de emprego volte a acelerar com a flexibilidade das regras nas contratações imposta pela reforma trabalhista, apesar do saldo negativo de geração de vagas em novembro, primeiro mês com as mudanças em vigor. Os mais otimistas falam em crescimento do PIB de até 3%.
Por outro lado, há uma série de obstáculos a serem enfrentados. A Reforma da Previdência precisa ser votada para sinalizar ao mercado a disposição do país em continuar com o ajuste fiscal. Com recursos públicos cada vez mais escassos, o pacote de concessões deve avançar por ser visto como a melhor alternativa para impulsionar investimentos em modais de transporte, melhorando as condições de escoamento da produção industrial.
No meio disso tudo, porém, há uma eleição presidencial que pode mudar completamente os rumos do país, inclusive levando-o a caminhos mais extremos. Mais uma vez a resiliência do país será duramente testada, mas ao que tudo indica – e desde já fica a torcida – em condições ao menos um pouco mais favoráveis do que as dos últimos três anos.