A rede de atacarejo Atacadão, que pertence ao Grupo Carrefour, inaugurou na última semana uma nova loja em Blumenau, a primeira dentro de um shopping center – e uma das 20 previstas para todo país em 2018. Para a operação, foram criados 260 novos empregos diretos.
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Até o ano que vem pelo menos “mais duas ou três” unidades serão abertas no Estado, projeta o CEO Roberto Müssnich, que esconde o jogo sobre as cidades que receberão os investimentos.
O Grupo Carrefour tem um plano bem agressivo de expansão da rede Atacadão. De quanto é o investimento e como ele será feito?
Temos dois modelos de negócio: a operação de atacado puro e as lojas no Brasil inteiro. Estamos desde Boa Vista, em Roraima, até no o Sul do país, na fronteira com a Argentina, Uruguai e Paraguai. Para este ano nós decidimos aumentar o pacote de investimentos. O orçamento (de todo o Grupo Carrefour no Brasil) é de R$ 1,8 bilhão. Estamos abrindo 20 novas lojas (da bandeira Atacadão). Até junho, já estamos com datas marcadas para dez.
Há planos para outras lojas no Estado além de Blumenau?
Sim. Nós temos lojas mapeadas e negociadas. Para 2018 ainda não, mas vamos começar a trabalhar para as aberturas no ano que vem. Eu acredito, e o meu objetivo, se tudo der certo, é ter no mínimo mais duas ou três lojas. Santa Catarina é um mercado espetacular. Já estamos aqui há muitos anos, via atacado. O pequeno comerciante, que também é um dos nossos focos, conhece o Atacadão de outras épocas. Isso facilita.
O modelo de atacarejo é o foco de crescimento do grupo nesse momento?
Somos hoje a maior operação do Grupo Carrefour no Brasil. Toda a ênfase que estamos dando nos últimos quatro, cinco anos é sim na expansão desse modelo de negócio. É um modelo que foi criado por nós. Mas isso não impede, por exemplo, que neste ano serão abertas mais 20 lojas do Carrefour Express em São Paulo. Também temos muito investimento na área digital. Estamos implantando em São Paulo o conceito de click and collect, onde as compras feitas pela internet são retiradas na loja. Lançamos no ano passado o e-commerce alimentar. Mas a ênfase é sim no Atacadão, que tem um propósito muito claro: fazer com que as pessoas do Brasil inteiro tenham acesso à uma alimentação de qualidade e boas marcas a um preço justo. Somos a bandeira que mais tem crescido nos últimos anos.
Em Santa Catarina há uma profusão grande desse tipo de modelo também.
Aí você tocou em um ponto. Nós temos um modelo de negócio diferente. Realmente o que a gente vê no Brasil, e não só em Santa Catarina, são redes copiando a ponta que aparece do iceberg, que é a loja. Mas o que está por baixo da linha da água, que é o coração do negócio, o Atacadão é praticamente único na maneira de negociar, de fazer, de estocar.
Há espaço para expansão de outras bandeiras no Estado, como os hipermercados e as lojas Express?
Potencial tem no Brasil inteiro. O problema todo é ter o tempo e a estratégia corretos. O que nós entendemos hoje é que todas as nossas lojas de cash and carry, que é o modelo do Atacadão, ainda levam um propósito muito claro. Temos que usar o dinheiro que nós dispomos dos acionistas para fazer a expansão em melhor retorno. E hoje o melhor retorno é o Atacadão.
A economia no Brasil ainda patina. Esse cenário em algum momento mudou os planos do grupo?
Realmente nós passamos por uma época de crise e aumento de desemprego de uma maneira geral, mas nunca deixamos de continuar investindo. A média de investimento nos últimos anos tem sido a mesma. O grupo acredita muito no Brasil. O que aconteceu, sim, é que com essa crise muito mais pessoas, sabendo das dificuldades de comprar barato, passaram a procurar as nossas lojas como alternativa. Temos o preço como uma vantagem espetacular em relação a todos os outros modelos de mercado. Isso fez com que no ano passado nós recebêssemos mais consumidores finais nas nossas lojas. O nosso foco é o pequeno comerciante, o supermercado de vizinhança, o armazém, o restaurante. Mas também atendemos famílias que têm o hábito de fazer o rancho. É a compra mensal, a base da subsistência, a um preço bom. Isso realmente aumentou o fluxo nas nossas lojas no Brasil inteiro. A crise, de certo modo, nos ajudou a chamar a atenção para o bom trabalho que nós fazemos.
Há mudanças no comportamento do consumidor nos últimos anos em função desse cenário?
Um exemplo: na última Páscoa as vendas de ovos tiveram uma regressão no nosso modelo, embora no mercado como um todo tenha havido crescimento. As pessoas compraram muito mais formas e barras de chocolate para fazer o seu ovo em casa. Isso é uma mudança de hábito, porque um ovo de chocolate tem um preço de R$ 100 o quilo. É uma despesa grande. Talvez seja um exagero, mas muitas vezes em vez de comprar o extrato de tomate, a pessoa compra o tomate para fazer o extrato. Faltando dinheiro, o brasileiro é criativo. Ele ajusta o seu cardápio de acordo com a oferta. E nós conseguimos realmente fazer uma oferta muito adequada para isso. Mas passou a crise, o que vai acontecer? Eu nunca vou deixar de comprar produtos de excelente qualidade da mesma marca em outro lugar que eu pago muito mais. O cliente que veio e experimentou, não sai. O brasileiro sabe quanto custa ganhar o seu dinheiro.
Quanto a rede Atacadão vai crescer neste ano?
Vamos abrir 20 lojas neste ano e o nosso plano são mais 20 no ano que vem. Nos últimos 10, 15 anos, abrimos uma média de 12 lojas por ano. Estamos aumentando o ritmo. Já estamos com 152 lojas e devemos chegar a 200 no ano que vem.