“As tecnologias representam só 30% da mudança. O resto é comportamento”, avalia presidente da ABRH-SC

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Com crescimento de 25% no número de congressistas, a 28ª edição do Congresso Catarinense sobre Gestão de Pessoas (Concarh) terminou sexta-feira em Florianópolis. Nesta entrevista, o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Santa Catarina (ABRH-SC), Paulo Sérgio de Souza Corrêa, fala um pouco sobre os desafios da área.

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O tema da edição do Concarh deste ano foi “influenciadores da transformação”. Como os profissionais de recursos humanos se encaixam nisso?

O Concarh é um evento não só para profissionais de RH, mas para executivos, gestores e diretores que lidam com gestão de pessoas. O que sabemos é que a ação está na mão de cada um e ninguém pode agir por outro. Mas você pode influenciar, tanto individualmente quanto um grande grupo. Estamos tratando isso dentro da era da digitalização. A explosão digital mudou a forma como a sociedade se comunica, consome, interage e também como trabalha. Esse pensar ainda é muito novo. As pessoas se adaptam mais rapidamente e esperam ter essas mesmas facilidades dentro das organizações.

As empresas estão, de uma maneira geral, preparadas para esse novo modelo?

A mudança é de forma exponencial. As novas tecnologias e as inteligências artificiais vêm em uma velocidade absurda e é normal que as empresas não acompanhem isso no mesmo ritmo. Mas existe uma preocupação muito forte em como usar essa tecnologia para selecionar novos funcionários que farão a diferença, para treinar, desenvolver e reter. Um congresso como esse traz muitos insights. O que a gente percebe é que todas essas tecnologias e processos representam só 30% daquilo que é preciso na mudança. O resto, os outros 70%, é comportamento. O papel do RH é muito forte nesse sentido de alterar o mindset, de ajudar as pessoas a mudar o modelo mental para que elas entrem nessa nova era. E isso vai passar por trabalhar outras questões, como felicidade e propósito dentro das organizações.

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Esse cenário de crise mudou a maneira como as empresas recrutam profissionais?

Creio que sim. Quando se tem uma oferta maior de candidatos no mercado, é natural que haja uma seleção maior. Hoje em dia há muitas ferramentas que permitem uma peneira muito mais rápida e eficiente, para se concentrar naqueles candidatos que realmente têm mais condições de atender os requisitos que se busca. É muito comum usar testes preditivos, grupos de estudos online, entrevistas gravadas. Através de mineração de dados, por palavras você poder chegar a um perfil mais aderente.

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Que peso as empresas dão a posicionamentos e opiniões expostas por candidatos em redes sociais na hora da contratação?

Como as informações normalmente são abertas, é natural que as empresas olhem também essa exposição, para que tenham mais informações sobre os candidatos. Como você se comporta nas mídias sociais prediz aquilo que poderá ser o seu comportamento dentro da empresa. Hoje as organizações querem pessoas flexíveis, criativas, que buscam o aprendizado contínuo, que tenham uma postura de resolvedores de problemas e olhar de dono. Uma das palestras no evento foi sobre diversidade, não só de orientação sexual. Quando uma empresa traz esse público diverso para dentro dela, aumenta suas chances de ser mais competitiva por contar com olhares diferentes.

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Que tipo de postura, nesse mundo globalizado, é inaceitável para as empresas?

Preconceito, falta de educação e não respeitar a opinião alheia. Você pode se manifestar, mas deve entender que há pessoas que tem opiniões diferentes e isso não é problema, não é melhor nem pior, é apenas diferente. No dia a dia corporativo você vai enfrentar essas diferenças. A maneira como se lida com isso é fundamental nos resultados que você vai apresentar para a empresa.

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O Brasil aprovou recentemente uma reforma trabalhista que muda muitos pontos na gestão de pessoas, mas ainda há muita insegurança em torno dela. Isso atrapalha muito no planejamento?

Atrapalha demais. Apesar de a reforma trabalhista ter trazido uma flexibilidade bem maior para as organizações, muitas ainda não estão se utilizando dela por causa disso.