Estatística preocupante colhida pelo blog junto ao Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho. No ano passado, Blumenau computou 1.062 registros de acidentes laborais, uma média de 2,90 por dia. O número ficou praticamente estável na comparação com 2016 (1.056), mas mesmo assim deve servir de alerta para empresas, funcionários e órgãos de fiscalização.
Curta Pedro Machado no Facebook
Leia mais notícias de Pedro Machado
O impacto mais grave desse grande volume de casos, claro, respinga na integridade física das vítimas. Mas há, também, perdas significativas em produtividade para indústrias e aumento de despesas previdenciárias geradas com o afastamento de trabalhadores do serviço, que poderiam ser evitadas.
Entre as ocorrências mais comuns, de acordo com o observatório, estão contusões, esmagamentos, cortes e torções (veja detalhes no gráfico ao lado). As partes dos corpos mais afetadas são os dedos, mãos, joelhos e pés.
Atividades de atendimento hospitalar e ligadas à indústria têxtil tiveram o maior número de acidentes registrados em 2017. A maioria deles (761) aconteceu no ambiente de trabalho durante o horário de expediente. Outros 258 casos foram verificados no trajeto que o trabalhador faz da sua casa até o local do emprego.
A maior parte das vítimas (54,7%) são homens. Ainda conforme o MPT, três das ocorrências registradas envolveram jovens menores de idade. No total, foram reportadas quatro mortes ao longo de 2017.
Impacto previdenciário de R$ 8,3 milhões
Em 2017, houve 1.471 registros de trabalhadores de Blumenau afastados do emprego por um período superior a 15 dias, o que lhes rendeu auxílio-doença por acidente de trabalho. Em 458 casos, o benefício foi pago em razão de doenças e acidentes relacionados a causas osteomusculares e do tecido conjuntivo, que incluem danos aos sistemas ósseo e muscular e também lesões por esforço repetitivo. Em outras 444 vezes houve registros de fraturas. Ainda segundo o observatório, em 58,5% dos casos a vítima era do sexo masculino.
O impacto previdenciário desses afastamentos no município foi de R$ 8,35 milhões, com perda de 152 mil dias de trabalho. O que chama a atenção é que esse volume é maior do que em Joinville (R$ 7,77 milhões) e Florianópolis (R$ 5,54 milhões). As duas cidades têm população maior e registraram mais acidentes em 2017 (4.015 e 2.265, respectivamente), mas tiveram, proporcionalmente, menos casos de auxílio-doença (1.093 e 891).
Aliás
Um levantamento publicado neste mês pelo Observatório Fiesc revela que Blumenau, considerando apenas o setor industrial, foi a cidade catarinense onde houve o maior número de casos de concessão auxílio-doença do tipo acidentário – quando o segurado está incapacitado de exercer suas funções em decorrência de acidente ou doença do trabalho – em 2017.
Foram 589 ocorrências, à frente até mesmo de Joinville (515), principal economia do Estado. No mesmo critério, Blumenau também ocupa a incômoda liderança estadual no setor de serviços, com 762 casos de concessão de benefícios de auxílio-doença no ano passado.
Posicionamento
O Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário (Sintex) de Blumenau enviou ao blog nota de esclarecimento sobre os dados referentes a acidentes de trabalho.
No texto, a entidade sustenta que, proporcionalmente ao número de empregos formais no setor na cidade – 23.076 em janeiro, conforme dados do Caged –, os incidentes atingiram apenas 0,64% dos trabalhadores que atuam na fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico e acabamentos em fios, tecidos e artefatos têxteis.
O percentual, continua o Sintex, é menor do que os 4,92% de profissionais do setor de serviços médicos, odontológicos e veterinários que sofreram acidentes de trabalho – segundo o Ministério Público do Trabalho, atividades de atendimento hospitalar tiveram o maior índice de ocorrências no ano passado.