Com foco na gastronomia e mais espaço às artesanais, Oktober quadruplicou lucro em seis anos

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O superávit – aquilo que sobra depois de contabilizadas as receitas e despesas – de R$ 4,81 milhões da Oktoberfest deste ano, anunciado nesta terça-feira pela prefeitura de Blumenau, representa um aumento de 13,2% frente a 2017 e é mais de quatro vezes superior ao registrado na edição de 2013 (veja mais detalhes na tabela abaixo), a primeira sob a gestão do secretário Ricardo Stodieck. Ele e sua equipe da Vila Germânica já haviam mais do que dobrado o resultado na comparação com 2012.

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O blog já destacou outras vezes a estratégia colocada em prática nos últimos anos para repaginar a festa, com mais espaço para a gastronomia (crescimento de 38% em 2018) e valorização de cervejarias artesanais (foram sete marcas regionais presentes neste ano), entre outras mudanças, como a troca da cervejaria oficial para a Eisenbahn.

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É verdade que uma parte desse superávit crescente foi impulsionada por medidas não muito populares, como aumento de preços de ingressos, bebida e comida, além de uma restrição maior de acesso gratuito a quem usa traje típico. Mas ao se verificar os resultados financeiros e suas consequências (leia mais nas notas a seguir), que colocam a Oktoberfest como raro caso bem-sucedido de evento superavitário organizado pelo poder público nos dias de hoje, é difícil não dizer que elas vêm se mostrando acertadas.

Em relação ao perfil do visitante, o público jovem vem cedendo cada vez mais espaço para famílias e gente disposta a gastar mais. O número de frequentadores casados saltou de 16,4%, em 2015, para 48,3% neste ano. Em média, 45,5% do público registrado em 2018 tinha renda entre R$ 5,5 mil e R$ 9,5 mil. Os dados corroboram a percepção de muitas pessoas de um processo de “elitização” da festa. Stodieck monitora esse tipo de crítica e costuma rebatê-la argumentando que a Oktoberfest ainda é muito barata em relação a outros eventos de grande porte.

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O fato é que a atual direção da Vila Germânica nunca escondeu que um dos principais objetivos dessa reformulação era atrair um público com maior poder de consumo, que ajudasse a alavancar o desempenho financeiro da Oktoberfest. Quem circula na festa de hoje vê um espaço mais bonito, mais organizado e mais tranquilo do que dez anos atrás. Financeiramente, o evento também se consolidou como uma espécie de financiador de outras ações ligadas ao turismo na cidade. A secretaria de Turismo quer que, no futuro, outros iniciativas, como a Sommerfest, alcancem patamar semelhante.

Prestígio

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Stodieck receberá da Câmara de Vereadores a Comenda Municipal do Mérito Turístico Carlos Curt Zadrozny, concedida a empresas e personalidades que se destacam na prestação de serviços no ramo do turismo. Detalhe: a indicação veio do vereador Alexandre Caminha (PSD) e teve subscrição de Adriano Pereira (PT) e Marcelo Lanzarin (MDB), parlamentares que costumam ter atuação mais crítica à prefeitura. O secretário goza de prestígio até mesmo de quem está mais inclinado à oposição.

Para onde vai o dinheiro

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O lucro de R$ 4,81 milhões da Oktoberfest deste ano vai ajudar a manter a estrutura da Vila Germânica, proporcionar a troca do playground do Parque Ramiro Ruediger e também custear parte de outros eventos, como o Magia de Natal, o Revéillon, o Sabores de SC e a Osterdorf.

A prefeitura já havia destinado um cheque de R$ 142,6 mil, correspondente a 1% do valor bruto das vendas de bebidas alcóolicas, para o Fundo Municipal para Ações de Políticas Públicas sobre Drogas (Fremad). Outros R$ 9,9 mil foram usados na compra de um drone doado à Polícia Militar.

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Ingressos mais caros

Vai ficar mais caro entrar na Oktoberfest a partir de 2019. Aos domingos, terças, quartas e quintas-feiras, o ingresso sobe de R$ 12 para R$ 16, alta de 33,3%. Às sextas e na véspera do feriado de 12 de outubro, passará de R$ 30 para R$ 36, incremento de 20%. Aos sábados e no feriado propriamente dito, saltará de R$ 40 para R$ 46, acréscimo de 15%.

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Ao justificar o aumento, a prefeitura reiterou que os valores estavam congelados desde 2014. O diretor administrativo e financeiro da Vila Germânica, Guilherme Guenther, diz que eles foram corrigidos a partir da variação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) no período, já considerando também a oscilação do indicador prevista para 2019.

Curiosidade: eles foram arredondados para números pares para evitar troco que demande centavos, no caso das meias-entradas.

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Só uma fatia

Os R$ 15 milhões em receitas da edição deste ano representam aquilo que efetivamente entra no caixa da Vila Germânica, já que a organização recebe apenas uma parte do que é vendido em ingressos, comida e bebida. O faturamento real da festa é bem maior: chega na casa dos R$ 34 milhões.

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Patrocínio gordo

Só em patrocínios, as receitas da Oktoberfest deste ano cresceram 60%. Em valores, foram R$ 2,58 milhões despejados por empresas, incluindo multinacionais, que quiseram associar a sua imagem ao evento. Trata-se de outro recorde. Stodieck vê espaço para esse volume ser ainda maior.

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Patrocínio magro

Por outro lado, o convênio da festa com o governo do Estado é cada vez mais minguado. Historicamente, a Casa d'Agronômica enviava R$ 700 mil para a organização. Esta quantia caiu para R$ 450 mil em 2017 e foi reduzida a R$ 300 mil em 2018. Como as contas estaduais estão em xeque e a Oktoberfest vem apresentando resultados financeiros cada vez melhores, não surpreenderia se este repasse for suspendido nos próximos anos.

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Mais desfiles

A organização da Oktoberfest pensa em criar um desfile extra – passando de seis para sete – na Rua XV de Novembro em 2019. Ele aconteceria numa terça-feira. A proposta será discutida com os grupos que já se apresentam. Caso vingue, uma nova vaga será aberta.

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O prefeito Mario Hildebrandt (PSB) também anunciou que a prefeitura quer promover desfiles na Sommerfest e na Osterdorf, a Vila da Páscoa, no próximo ano. As apresentações seriam na Rua Alberto Stein, em frente à Vila Germânica, como ocorre hoje no Magia de Natal.

Licitações

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A prefeitura lançará em fevereiro próximo as licitações dos sete pontos de venda de cervejarias artesanais e dos 16 pontos de alimentação da edição de 2019 da Oktoberfest. O cardápio, mais uma vez, será revisado e deve trazer novidades.

92,2%

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É o percentual de visitantes da Oktoberfest que avaliaram que o Oktober Karte, o cartão que substituiu as fichas em papel na edição deste ano, facilitou as compras. Quase 87% consideraram a inovação ótima ou boa.

Os números gerais da festa
Todos os principais indicadores apresentaram alta

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Público: 592.291 (+4,2%)

Gastronomia (quantidade de itens e pratos): 538.727 (+38,01%)

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Consumo de chope (litros): 623.660 (+1,86%, com 1.559.150 copos)

Gasto médio
Alimentação: R$ 18,03 (+30%)
Bebida: R$ 29,91 (+10,32)

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Patrocínios: R$ 2.585.000,00 (+60%)

Receitas*: R$ 15.032.370,40 (+11,76%)

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Despesas: R$ 10.220.574,14 (+11,10%)

Superávit: R$ 4.811.796,26 (+13,2%)

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*Valor que fica no caixa da Vila Germânica. Não representa todo o faturamento da festa.

A evolução do lucro
Festa vem aumentando rentabilidade ano a ano

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2012: R$ 395.178,92
2013: R$ 1.062.474,12
2014: R$ 1.700.633,58
2015: R$ 1.843.963,73
2016: R$ 3.196.518,08
2017: R$ 4.250.813,71
2018: R$ 4.811.796,26