Combinação de fatores favorece retomada do crescimento do Brasil, avalia economista-chefe do Bradesco

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O Brasil está em uma posição cíclica favorável à recuperação da economia. A inflação e a taxa de juros caíram a níveis historicamente baixos, há queda na inadimplência e a ociosidade nas fábricas abre espaço para o aumento da produção industrial, o que ajudaria a reduzir a massa de 12 milhões de desempregados. A análise é do economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, que passou por Blumenau nesta semana. A empresários da região, fez uma análise dos cenários internacional e nacional em palestra de 45 minutos, na quarta-feira. O presidente do banco, Octávio de Lazari Jr, também participou do evento.

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Barbosa disse estar “cautelosamente otimista” com o futuro. Isso porque os sinais dados pela futura equipe econômica de Jair Bolsonaro são, na avaliação dele, compatíveis para enfrentar os problemas do país. O especialista citou quatro pilares positivos da prometida agenda: a preservação do teto dos gastos – que daria mais autonomia ao setor privado e baixaria os juros na ponta, visto que o governo pararia de aumentar a dívida –, a independência do Banco Central, a simplificação tributária e uma maior abertura comercial.

Especificamente sobre impostos, ponto geralmente mais atacado pelo setor produtivo, o economista-chefe do Bradesco jogou um balde de água fria na plateia. Disse para os empresários “não se iludirem” e que considera impossível que se corte tributos, pelo menos neste momento. Por outro lado, destacou que a simplificação já daria novo impulso para a atividade econômica, com potencial para permitir um crescimento adicional de 1,5% ao ano no PIB.

Barbosa projetou uma expansão da economia nacional de 2,5% a 3% em 2019. Mas também fez alertas. Apesar de elogiar a composição da equipe a ser comandada por Paulo Guedes, lembrou que bons nomes não valem de nada se a política for hesitante. Citou como exemplo o os vizinhos argentinos, que mergulharam em crise mesmo diante de uma proposta liberal vendida pelo presidente Mauricio Macri.

– É um lembrete para o Brasil – comparou.

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Outro ponto de atenção listado pelo especialista remete ao Congresso Nacional. Como o Brasil precisa mexer muito em sua máquina administrativa, há receio de o país ser alvo de uma “fadiga reformista”, o que poderia desgastar a imagem do futuro presidente. A favor de Bolsonaro, no entanto, está o fato de que o capitão da reserva adotou o discurso pró-reformas durante a campanha. Neste sentido, não há risco de “estelionato eleitoral”, disse Barbosa, como ocorreu em governos anteriores.

O economista-chefe do Bradesco ainda manifestou preocupação com o crescimento da dívida pública, citou que o orçamento do país é muito rígido e lembrou que o ambiente internacional, marcado pela guerra comercial entre as potências americana e chinesa, ajuda a tornar tudo mais desafiador. O que o governo precisa fazer, avaliou, é dar sinais de que está comprometido em consertar as contas públicas. Isso é vital para atrair novos investimentos.