Custos mais altos e demissões: o alerta por trás da crise nas fábricas da Gerdau e Cisam no Brasil

Casos expõem desafios comuns à indústria siderúrgica

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A Gerdau informou que vai encerrar produção de aço na unidade de Divinópolis (MG) (Foto: Divulgação)

A indústria siderúrgica brasileira foi sacudida nesta semana com duas notícias de impacto. A Gerdau, uma das maiores do mundo do setor, informou na terça-feira (3) que vai encerrar a produção de aço na unidade de Divinópolis (MG). Na quinta (5), a Companhia Siderúrgica de Pará de Minas (Cisam), também com atuação no estado mineiro, interrompeu as atividades por tempo indeterminado.

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O baque mais imediato dos dois movimentos é no mercado de trabalho. A decisão da Gerdau resultou na demissão de cerca de 280 trabalhadores, informou o sindicato dos metalúrgicos local ao G1. Na Cisam, são pelo menos 70 pessoas impactadas diretamente.

Por trás dos dois casos, estão desafios comuns ao segmento, impactado por aumento de custos do minério de ferro e perda de competitividade diante de uma oferta mais alta de aço importado no Brasil, principalmente de origem chinesa. No balanço do terceiro trimestre, a Gerdau informou que a operação na América do Norte, responsável por 55% da receita, sustentou o desempenho da empresa em meio a uma queda no mercado doméstico.

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Em Divinópolis, que representa 4% de sua capacidade instalada, a companhia confirmou que paralisou fornos e a aciaria da unidade, mantendo apenas a operação de laminação em escala reduzida e usando aço produzido em outras fábricas. Foi, conforme a Gerdau explicou ao mercado, uma decisão “alinhada à estratégia de otimizar as operações industriais no Brasil” para se concentrar em ativos mais competitivos, eficientes e com maior nível tecnológico.

Além do avanço das importações de aço no mercado brasileiro, as exportações, pilar importante da operação, também foram impactadas por condições desfavoráveis do mercado internacional. No caso da Cisam, a empresa relatou problemas no abastecimento de gusa, insumo utilizado na fabricação do aço.

Em nota divulgada na quarta (4), a Federação das Indústrias de Minas Gerais disse que o caso da Gerdau não pode ser tratado como algo isolado e reforçou a urgência de uma política industrial forte no Brasil. Sem citar exatamente quais medidas estruturantes seriam necessárias, a entidade avaliou que o atual momento econômico é marcado por dificuldades que comprometem a capacidade de produção, investimentos e geração de empregos.

“O Brasil precisa de uma política industrial consistente, de longo prazo, que assegure condições adequadas de competitividade, estimule investimentos, valorize a produção nacional e proteja a capacidade produtiva do país”, cita o texto.