Embora tenha registrado leve queda de 0,41% em relação a dezembro – com ajuste sazonal –, o Índice de Atividade Econômica de Santa Catarina (IBCR-SC), considerado uma espécie de prévia do PIB, evoluiu 5,95% em janeiro (dado mais recente) frente ao mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, o acumulado chega a 4,56%.
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O cálculo é do Observatório da Indústria Catarinense, vinculado à Fiesc. No mesmo período, o indicador nacional teve avanço de 2,97%. O número reforça mais uma vez a condição diferenciada de recuperação do Estado na comparação com o país.
O resultado não surpreende em função de um conjunto de fatores, puxados pela ampla diversidade da indústria catarinense e forte perfil empreendedor, que costumam colocar Santa Catarina em posição de destaque no cenário econômico nacional.
O presidente da Fiesc, Glauco Côrte, comemora, mas com a serenidade que lhe é peculiar. Lembra que indicadores ligados à produção e vendas estão melhorando. A geração de empregos também. Só em fevereiro, SC abriu 16,3 mil postos de trabalho, 12 mil deles na indústria de transformação. No primeiro bimestre, o segmento já é responsável por 20,1 mil vagas. No saldo geral, são 34 mil novas carteiras assinadas no Estado no período.
Todos os segmentos acompanhados pela Fiesc apontaram saldo positivo de empregos, prova de que “há uma distribuição da recuperação econômica”, nas palavras de Côrte. O uso da capacidade instalada do parque industrial do Estado também está subindo – passou de 80% ao final de 2017 para 82% neste começo do ano.
— Estamos nos aproximando de um período em que haverá necessidade de expandir — avalia o presidente da federação.
É justamente neste ponto, porém, que reside o principal ponto de atenção da indústria. Dentro de um ciclo econômico pós-crise, 2017 era encarado pelo mercado como o ano de início da retomada. Em 2018 esse processo, no cenário perfeito, se consolidaria.
Mas no meio do caminho há uma eleição presidencial, elemento suficiente para manter a confiança estagnada e criar um clima de incertezas sobre o futuro, potencializado pela falta de clareza do quadro de candidaturas.
Côrte admite que aumentou a percepção do empresário industrial de que deve-se trabalhar independentemente da forma como o governo atua – há um descolamento da política em muitos casos. Mas uma retomada mais dinâmica dos investimentos, que dão sustentabilidade ao processo de recuperação e um novo gás na abertura de empregos, só deve ocorrer depois que a poeira eleitoral baixar e o destino das reformas previdenciária e tributária e das propostas de concessões de infraestrutura, além dos próprios rumos do novo governo, ficar mais claro, avalia o dirigente.
Obstáculos à parte, a Fiesc mapeia um crescimento de pelo menos 3%, podendo ser maior, da economia catarinense neste ano. Uma das poucas certezas é de que o incremento, uma vez mais, será bem superior ao da média brasileira.
Procura
Parceria do governo do Estado e da Fiesc, a Investe SC, agência criada para buscar investimentos para Santa Catarina, negocia cerca de 30 novos projetos. Outros tantos estão em prospecção, adianta o presidente da federação, Glauco Côrte. As consultas aumentaram diante da melhora do ambiente econômico do ano passado para cá.