Prevaleceu o sentimento contra “tudo isso que está aí” tão bem encarnado por Jair Bolsonaro (PSL). A consolidação da vitória do capitão da reserva no segundo turno interrompe em definitivo, agora por meio do sagrado direito do voto direto, o ciclo de poder petista iniciado em 2003 por Lula. De certa forma, há semelhanças entre estas eleições de 2018 e aquelas de 16 anos atrás que consagraram o líder sindical. Ambas foram marcadas por um amplo desejo popular por renovação, de um lado, e por receios de radicalismos de outro.
Animosidades ideológicas à parte, a situação do país nunca deixou dúvidas de que havia desafios comuns a serem enfrentados pelos concorrentes, independentemente do resultado das urnas. No campo da economia, milhões de brasileiros sofrem com o desemprego, o excesso de burocracia afeta a competitividade das nosxsas indústrias e o rombo fiscal põe em xeque a capacidade de investimento da máquina pública.
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É quase consenso entre analistas que Bolsonaro, agora vencedor, reúne mais condições para promover mudanças do que Haddad teria. Alguns fatores justificam isso: a “novidade” eleitoral, o discurso de ruptura do sistema, a boa vontade de um mercado cansado do PT e a ampla base de apoio simpática ao militar que se construiu no Congresso Nacional, por onde precisam passar as reformas estruturantes.
Esse capital político conquistado é um ponto de partida. Resta saber qual será a postura do presidente eleito diante de uma oposição que, apesar de pequena e aparentemente sem força para barrar os interesses do governo, promete ser barulhenta.
Abafadas por questões periféricas e pela decisão pessoal de não comparecer aos debates da reta final de campanha, as propostas de Bolsonaro para a economia ficaram em segundo plano. A partir de agora, caberá ao presidente eleito deixar claro como pretende, entre outros pontos, criar 10 milhões de empregos em quatro anos, qual sua posição sobre a Reforma da Previdência e os privilégios de determinadas categorias, de que maneira irá reduzir a carga tributária, como funcionará a sua política de privatizações e que fórmula será adotada para aumentar a arrecadação e gerar mais recursos para investimentos, uma vez que ele já sinalizou que não pretende mexer na regra que limita gastos públicos por 20 anos.
Independentemente do que Bolsonaro e seu “Posto Ipiranga” Paulo Guedes proporem para a condução da política econômica, é provável que a recuperação pós-crise, que ainda é lenta, ganhe novo fôlego a partir de agora. A história recente do país mostra que mais do que ações concretas e factíveis, uma mudança de ares no comando é suficiente para reacender expectativas positivas para o futuro. Mas apenas isso é pouco para colocar o Brasil novamente nos trilhos do desenvolvimento.