Pioneira na área de informática no final dos anos 60 com a criação do Centro Eletrônico da Indústria Têxtil (Cetil), que viria a se tornar o maior birô de processamento de dados da América Latina, Blumenau viu crescer o seu polo de tecnologia ao longo das últimas três décadas. Além de ser sede de algumas das mais importantes desenvolvedoras de softwares do país e abrigar filiais de multinacionais, como Philips e T-Systems, o município, hoje, integra a lista das 10 cidades brasileiras com o maior número de startups – pequenos negócios de base tecnológica com alto potencial de crescimento –, conforme levantamento divulgado recentemente pela associação nacional do setor (ABStartups).
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Ainda assim, agentes ligados a esse ecossistema parecem não estar satisfeitos e preparam um novo movimento para fortalecer ainda mais o setor. Instituto Gene, Blusoft, Acib (por meio de Núcleo de Inovação) e poder público (através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Empreendedorismo) decidiram unir forças e trabalhar de maneira integrada temas relacionados ao segmento de tecnologia da informação, um dos eixos considerados estratégicos dentro do Plano Municipal de Desenvolvimento Econômico. Outras entidades e até mesmo pessoas que estiverem dispostas a colaborar nas discussões – o objetivo é fazer reuniões mensais – são bem-vindas também.
Entre representantes da área, há certa frustração pelo fato de Blumenau, apesar de avançar, ter perdido protagonismo no segmento, principalmente diante de Florianópolis – que já vem sendo chamada de Capital da Inovação. A avaliação do grupo é de que, sim, existem diversas iniciativas de fomento ao setor (uma das mais recentes foi a sanção da Lei Municipal de Inovação), mas muitas vezes elas são dispersas, não conversam entre si e geram um gasto desnecessário de energia.
Centro como catalisador
Em construção ao lado do campus 2 da Furb, o Centro de Inovação da cidade, um dos projetos mais avançados entre os 12 ainda pendentes por parte do governo do Estado – só o de Lages já foi entregue –, deve ser o grande catalisador dessa proposta. A ideia é que, no espaço, seja possível encontrar tudo referente à tecnologia e inovação – potenciais parceiros, captação de recursos, atendimento de demandas, troca de experiências.
A estrutura está em obras e pode, num cenário positivo, ser entregue no final do ano, diz o vice-reitor da Furb e presidente do Conselho de Administração do Instituto Gene, Udo Schroeder. Com ou sem o prédio, no entanto, esse grupo já trabalha na elaboração de um modelo de governança para o chamado Distrito de Inovação, que terá o Centro como seu principal expoente.
Ao juntarem esforços, agentes ligados à tecnologia e inovação querem proporcionar novo salto ao segmento na cidade. Potencial há de sobra.
Aliás
Deve ser lançada em março a licitação para a segunda fase da obra do Centro de Inovação, que prevê, entre outros pontos, as instalações elétricas do prédio. O mobiliário ficará para uma etapa posterior.