O brasileiro nunca temeu tanto ficar sem trabalho. Divulgado nesta segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice do Medo do Desemprego (IMD) atingiu, em uma escala de zero a cem, 67,9 pontos em junho, 18,3 pontos acima da média histórica, que é de 49,6 pontos.
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Só em duas ocasiões desde o início da série, em 1996, o indicador chegou a este patamar: em maio de 1999 e em junho de 2016 – neste último caso, quando o país implodia às vésperas do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O estudo aponta ainda que o medo é maior entre pessoas com menor grau de instrução.
Na prática, o resultado é mais uma prova da lentidão da recuperação da economia, ao contrário do que se projetava na largada do ano. A taxa de desemprego continua alta – era de 12,7% no período entre março e maio, o que significa 13,2 milhões de pessoas sem ofício –, embora o indicador já tenha sido maior – de 13,7% entre janeiro e março.
Nem mesmo a reforma trabalhista, aprovada com um discurso de promoção de novos postos de trabalho, e medidas de caráter fiscal, como a PEC do Teto dos Gastos, foram suficientes para reverter, por enquanto, o quadro de desconfiança vivido pelo país. A isso se soma um cenário eleitoral imprevisível a três meses da votação que escolherá o novo, ou a nova, presidente da República.