Fundador do programa 100 Open Startups (openstartups.net), que se propõe a conectar grandes empresas, nacionais e multinacionais, com startups emergentes e, com isso, ampliar a geração de negócios, Bruno Rondani esteve nesta semana em Blumenau. Na terça-feira, ministrou um workshop para investidores onde destacou oportunidades e desafios de se apostar neste tipo de negócio. Num dos intervalos do evento, ele conversou com a coluna. Confira:
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Qual a proposta do 100 Open Startups?
Estamos, de certa forma, democratizando a possibilidade de profissionais com competência avaliarem e apoiarem startups. E ao mesmo tempo dando para as startups uma extensão de pessoas que podem ajudá-las. Os modelos atuais que não usam tecnologia não conseguem dar essa capilaridade para esses processos. Então a gente criou uma ferramenta muito parecida com o que é o Tinder, de conexão entre pessoas para relacionamento. E oferecemos para grandes empresas a visualização do que que está acontecendo no ecossistema de inovação, para que elas possam escolher e criar estratégias e programas para se conectar de forma estruturada no mercado. Isso realimenta o próprio mundo das startups, que tem muito mais oportunidades. Em três anos, pela plataforma, geramos mais de mil contratos.
É cada vez mais frequente ver grandes empresas, com estruturas maiores, aportarem em startups para acelerar o processo de inovação. Isso no futuro pode afetar investimentos próprios na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D)?
O P&D foi remodelado e reestruturado para open innovation (inovação aberta). É verdade, muito do que era investido nessa área está sendo direcionado para relações externas. O P&D continua tendo uma relevância muito grande na estratégia de inovação das principais empresas, mas ele não é mais a única ou a principal solução. Esse modelo erodiu nos últimos 15 anos para uma proposta de inovação em rede. Eu não chamo isso de risco. É uma tendência, e as startups vão cada vez mais passar a alimentar esse processo, com projetos mais flexíveis, testando e experimentando dentro e fora da empresa.
A 100 Open Startups elaborou uma lista das startups mais atrativas para os investidores. O que elas têm em comum?
Essa pergunta é mais difícil de responder porque as grandes empresas têm demandas extremamente distintas. Mas conseguimos ver, sim, algum perfil, porque essa conexão é nova. Fizemos um estudo mostrando o que as grandes empresas querem e o que as startups oferecem.
Quais são as demandas mais identificadas?
Aplicações de big data (conjunto de dados armazenados) é o que mais está acontecendo. Cloud computing (computação em nuvem), mesmo já sendo uma realidade, e mobile também. Há muita gente testando e tentando validar aplicações de inteligência artificial.
O que as empresas, aceleradoras e fundos de investimento mais levam em consideração ao analisar um projeto de startup?
É interessante porque isso está mudando bastante agora por causa dos novos padrões. Mas o tradicional é olhar para tamanho de mercado, se a dor é real, se a equipe é boa, se é escalável (capacidade de se reproduzir em grande quantidade e rapidamente), se há uma coerência entre o que está sendo solicitado em termos de recurso e o plano da startup. Por mais que se fale em experimentação, a startup tem que falar como vai alocar recurso. Essas são as perguntas básicas de uma banca.
Um projeto bem estruturado vale mais do que uma boa ideia?
Com certeza. A ideia em si, se for muito, muito original, tem até menos valor para o negócio porque significa que vai dar mais trabalho para criar esse mercado e fazer com que as pessoas o compreendam. Nas ideias que já estão mais disponíveis, que todo mundo tem interesse, é a execução que faz diferença. Por isso que se fala que a ideia é uma parte menor e a execução é uma parte maior.
Há um problema da falta de recursos para aportes em startups. O governo federal também anunciou recentemente cortes na área de ciência e tecnologia. Como driblar esse cenário?
Na verdade nunca se investiu tanto em startups. Não há uma correlação entre o corte do Ministério da Ciência e Tecnologia para pesquisa e desenvolvimento ou ciência com o que está acontecendo no mundo das startups. Até porque a maior parte das startups que recebem investimento são as que estão na onda do digital. Realmente é muito difícil uma startup que foge do digital receber investimento, e aí sim ela depende desse mecanismo todo que você está falando. Hoje há redes de anjos se formando, muitas aceleradoras e grandes empresas entrando no jogo. As políticas públicas de fato desapareceram, e eu diria graças a Deus, porque elas atrapalhavam demais a formação de algo mais sustentável e saudável. Tanto é que quebrou, o próprio governo não consegue manter o modelo de financiamento e inovação. E aí começou a emergir coisas mais eficientes e agora temos mais investimento acontecendo.