Da visão de empresários do ramo têxtil que enxergaram que o setor precisava agregar mais valor aos seus produtos por meio do design e da moda nasceu, em 2005, o Santa Catarina Moda Contemporânea – que mais tarde acabou rebatizado para Santa Catarina Moda e Cultura. Um dos grandes trunfos do movimento foi reunir executivos de diversas empresas, algumas inclusive concorrentes entre si, para partilhar experiências e dores comuns, com foco no crescimento coletivo e no desenvolvimento do setor como um todo.
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Hoje, a iniciativa tem 16 associados – de marcas de moda, cama, mesa e banho a fabricante de fios e etiquetas, incluindo ainda uma desenvolvedora de softwares de gestão para o segmento. Na quinta-feira, em Blumenau, o SCMC promoveu um evento voltado a profissionais do ramo para discutir tendências e o futuro do varejo. Antes da palestra, o empresário Rui Altenburg, que preside o movimento, conversou com a coluna.
O SCMC vem dando muito certo. Qual o segredo do sucesso?
O segredo, eu acredito, é a forma aberta e espontânea com que essas empresas estão se reunindo e trabalhando, procurando se desenvolver e inovar, principalmente com muita atenção ao design.
O movimento já está consolidado como uma plataforma de compartilhamento de informações. Qual o próximo grande salto?
Nós estamos fundamentalmente pensando e projetando cada vez mais essa integração e esse compartilhamento de ideias, principalmente na valorização da inovação através das pessoas. Precisamos, sem dúvida, instruir e capacitar cada vez mais os nossos colaboradores e os profissionais como um todo para que possamos trazer o futuro para mais perto.
Como será feito esse trabalho?
Não temos exatamente a ferramenta. O propósito é elucidar e orientar as empresas para que elas despertem para isso. Vai caber a cada uma delas tirar o melhor proveito do que nós estamos transmitindo.
Muitas empresas têxteis da região estão fechando, migrando fábricas para outros estados do Brasil ou até levando unidades produtivas para fora, caso da Altenburg no Paraguai. Por que esse movimento vem se intensificando?
O Paraguai está em uma situação muito estratégica na América do Sul. É um país que enxergou a necessidade de promover a instalação de empresas lá, criando com isso o processo da Maquila (lei que reduziu a carga de tributos para investimentos), que é benéfico para nos dar mais competitividade. Infelizmente estamos carecendo da reforma tributária para dar realmente condições da indústria brasileira se fortalecer.
SC deixou de ser um estado atrativo para esse tipo de operação industrial?
Não estamos dizendo diretamente isso. Santa Catarina continua com seus programas de incentivo para a área têxtil que são interessantes e vantajosos.
O dólar está nas alturas e tem previsão de subir ainda mais. Qual o tamanho do impacto disso para a indústria?
O Brasil não tem maturidade para trabalhar com o dólar flutuante. Nós estamos sendo vítimas de especuladores. Qualquer empresário que quer fazer algum investimento ou trazer mercadorias e matérias-primas de fora para industrializar aqui não sabe quanto vai pagar, quanto vai custar. Por isso eu digo que estamos sendo vítimas dos especuladores financeiros. É um investidor que não emprega e não gera renda. É uma concentração de renda, inclusive. Eu recomendo ao governo que acabe com o dólar flutuante temporariamente para que haja um equilíbrio.
A indústria têxtil catarinense já chegou à conclusão que não será da confecção e da costura que ela irá crescer e se desenvolver e que é preciso investir em design e gestão de marcas. Há agora o desafio da indústria 4.0, com automação de máquinas e processos. O setor está preparado para essas tendências?
Isso não é um passo que é dado por todas as empresas simultaneamente. Algumas se lançam à frente, outras perseguem depois e algumas talvez nem façam. E com isso, também, algumas empresas estão deixando de existir ou se transferindo para outros setores. Mas a automação é um princípio que não tem mais volta. Ou nós nos automatizamos e com isso geramos mais competitividade ou estaremos fora do mercado.