O julgamento de Lula e o futuro da economia

Compartilhe:

A pauta é política em sua essência, mas as consequências vão muito além disso. Independentemente do resultado e sem entrar no mérito de culpa ou não, o julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, marcado para esta quarta-feira em Porto Alegre, terá consequências não apenas nas eleições de outubro, mas também na economia.

Continua após a publicidade

Mantida (ou alterada) a condenação à prisão determinada em primeira instância pelo juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá (SP), abre-se caminho para uma eventual inelegibilidade do ex-presidente, o que, se confirmada, deixaria uma lacuna para a ascensão de um candidato de perfil moderado, centrista e pró-reformas. É um perfil que agrada o mercado por supostamente ter melhores condições de consolidar as bases de fortalecimento da economia, mas que ainda esbarra na ausência de um representante com a devida densidade eleitoral.

Decisão favorável a Lula, por outro lado, fortaleceria o petista – em que pese ele ser alvo de outros processos –, com potencial para alimentar uma campanha de discursos extremos à esquerda e à direita, mesmo que haja uma aposta entre analistas de que tanto o ex-presidente quanto o deputado Jair Bolsonaro – os dois que já estão com o bloco na rua e polarizam as primeiras pesquisas de intenção de voto – devem amenizar o tom mais áspero com o desenrolar da disputa.

Continua após a publicidade

Qualquer que seja, o desfecho pode virar combustível para exaltar ânimos, o que não parece ser um bom negócio para um país em busca de estabilidade política e institucional para gerar a confiança que as empresas precisam para investir e gerar empregos e que os consumidores necessitam para ir às compras.

O julgamento desta quarta-feira, portanto, tem tudo para ter efeitos muito mais amplos do que meras composições partidárias, com respingos na atividade econômica. O mercado estará tão atento à sentença dos desembargadores quanto o mundo da política.

​​Curta Pedro Machado no Facebook​​

Leia mais publicações de Pedro Machado​​​​​​