Varejo de SC tem maior alta de vendas do país em 2017

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O motor da recuperação do comércio de Santa Catarina é bem mais potente do que o do Brasil. Ratificando os números que ao longo de 2017 já apontavam reaquecimento a galope do setor, o Estado encerrou o ano passado com alta de 13,5% no volume de vendas no varejo. Foi o melhor resultado, com folga, entre todas as unidades da federação.

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Para se ter uma ideia do expressivo desempenho, Amazonas e Alagoas, que aparecem logo na sequência, acumularam variação, cada, de 7,7%. No país, o incremento foi bem menor, de 2%. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro, o volume de vendas foi 10,2% maior do que no mesmo mês de 2016. Na comparação direta com novembro, no entanto, houve queda de 3,3%. Um dos motivos, atribui a Fecomércio-SC, foi o bom resultado da Black Friday em Santa Catarina, quando muita gente aproveitou as promoções para antecipar as compras de Natal.

Na mesma batida do volume, a receita nominal no varejo no acumulado do ano passado teve alta de 12,8%. Em dezembro, o acréscimo foi de 8,9% frente ao mesmo período de 2016. SC também foi líder em vendas no varejo ampliado (que inclui materiais de construção, automóveis e peças), com incremento de 14,3%, enquanto a média nacional ficou em 4%.

Entre os setores que se destacaram em 2017 estão o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+25%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+24,2%), veículos, motocicletas, partes e peças (+13%) e eletrodomésticos (+10%). As únicas quedas foram verificadas em móveis (-15,8%) e tecidos, vestuário e calçados (-8,9%).

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Há um conjunto de fatores que ajudam a explicar dados tão positivos. Primeiro: o Estado tem uma economia amplamente diversificada. Quando um setor vai mal, outro costuma compensar, garantindo balanceamento na atividade produtiva.

Segundo: Santa Catarina é dona da menor taxa de desemprego do país (6,7% no terceiro trimestre de 2017, o dado mais recente), o que significa mais gente ocupada com dinheiro no bolso para consumir. O Estado também foi quem mais criou novos postos de trabalhos formais no ano passado (29.441). Só o comércio abriu 7.886 vagas – em números absolutos, um resultado que só perde para São Paulo (11.032).

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Terceiro: há certo equilíbrio nas contas públicas estaduais, com pagamentos em dia do funcionalismo, ao contrário de outras regiões.

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL-SC), Ivan Tauffer, todos esses pilares, aliados a sinais positivos da macroeconomia, como redução de juros e inflação, explicam esse sucesso. Tauffer, no entanto, ainda credita boa parte do resultado ao perfil do catarinense, que na avaliação dele buscou se descolar da crise.

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— Um diferencial também é a nossa gente, que faz planejamento familiar, tem menos inadimplência — acrescenta o dirigente, sinalizando uma educação financeira acima da média.

O desempenho deve continuar melhorando em 2018, mas não com a mesma velocidade. Não custa lembrar que os resultados de 2017 foram calculados a partir de uma base fraca, já que 2016 foi um péssimo ano para a economia.

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— A perspectiva para este ano é que o Estado mantenha esse ritmo de crescimento, mas com taxas menores. Podemos nos aproximar dos níveis de 2014, antes da crise, ao final de 2018 ou início de 2019 – projeta Luciano Córdova, economista da Fecomércio-SC.

Ele acrescenta que o comércio se recupera mais rápido do que outros setores, como a indústria, por exemplo, onde o nível de segurança exigido para fazer investimentos é maior.