Empreender no Brasil é um ato de heroísmo. Imprevisibilidade nas normas, burocracia elevada e alta carga tributária sufocam quem gera emprego neste país.
Na última semana, um título nada animador: O Brasil manteve a primeira posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação) após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, na quarta-feira (4).
O país tem juros reais mais altos do que Turquia (7,77%), Argentina (6,80%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). O levantamento reúne 40 economias que têm uma taxa média de 1,28% ao ano.
A culpa dessa triste liderança não é do Banco Central, mas de um governo perdulário e irresponsável com as contas públicas.
O fim da escala 6×1 e a reforma tributária são dois fatores que vão exigir muito planejamento das empresas. Quem estiver mais sólido e preparado irá sofrer menos.
O advogado trabalhista Allexsandre Lückmann Gerent alerta que muitos empresários estão olhando apenas para a escala e como conseguir montar as equipes, mas estão esquecendo que a folha ficará mais cara em alguns casos. Como o trabalhador terá mais dias de descanso, o DSR (descanso semanal remunerado) ficará mais caro. O mesmo vale para quem ganha em comissões, como em concessionárias de veículos, entre outros exemplos.
Em relação à reforma tributária, falta regulamentar, definir alíquota e ver quais grupos de interesse terão tratamento diferenciado e serão tratados como exceções.
Um dos graves problemas do Brasil é que, com a força do lobby e até da corrupção, todo setor se julga a última bolacha do pacote e exige tratamento especial.
Quanto mais exceções, mais os demais pagam a conta.
O que mais me chama a atenção é que, ao conversar com advogados tributaristas, pergunto se ficará mais caro. Quase sempre, a resposta é sim.
Assim, com tanta mudança regulatória e incerteza, taxa de juro nas alturas, endividamento e recuperações judiciais em patamares recordes, fica muito difícil a tomada de decisão em meio a esta instabilidade.
Para os donos do dinheiro, nada pior do que a falta de previsibilidade. E, sem saber o que vem pela frente, não há chance para erro.
