Isolamento social, medida correta, e mais fácil de ser praticado com dinheiro no bolso e geladeira cheia 

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(Foto: Diórgenes Pandini/ NSC)

O repórter de TV de São Paulo informa que nas periferias “as pessoas que precisam trabalhar furam o isolamento social”. Não precisa nem estudar sociologia depois disso. É uma aula de realidade. Outro colega, também do Sudeste, descrevia uma cena em que pessoas muito pobres estavam ao redor de um grupo de voluntários que distribuíam comida. Ele disse que as pessoas não estavam ''repeitando o distanciamento de dois metros''. Desliguei a TV. Não é justo esse tipo de cobrança.

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Quem está com fome ou precisa do trabalho daquele dia está mais preocupado com levar um litro de leite para casa, e muito menos preocupado em usar a máscara ou passar álcool gel nas mãos. Muitas vezes nem água ele tem em casa durante 24 horas.

É muito mais fácil praticar o isolamento social com o armário da cozinha tomado de comida, a geladeira cheia e dinheiro no bolso. Mas essa não é, infelizmente, a realidade do brasileiro. Somos o país da informalidade, da desigualdade e, de novo, rondando o mapa da fome no mundo.

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Esse é o grande desafio.

Somos mais pobres que Estados Unidos e Europa, e temos uma desigualdade e problemas sociais absurdamente maiores.

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que não se pode pensar em flexibilizar o isolamento pois estamos em “franca ascendência” da pandemia. É a verdade cruel e assustadora. A nossa curva só sobe.

Santa Catarina já flexibilizou a quarentena de forma “gradual e segura”, como diz o governador Carlos Moisés. Temos uma condição de relativo conforto na comparação com os estados do Sudeste para cima.

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E não há plano B.

Só há uma maneira de não sermos obrigados a retroceder na flexibilização: educação em saúde, respeito aos novos protocolos, dinheiro nas mãos de trabalhadores e capital de giro rápido para as empresas não fecharem as portas e demitirem mais ainda.

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