Morte de turista baleado em comunidade mostra o lado B de Florianópolis

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Comunidade do Siri, nos Ingleses, é retrato da ocupação desordenada (Foto: divulgação)

A morte do turista gaúcho na favela do Siri, nos Ingleses, escancara uma realidade. Existe uma Florianópolis que não é a dos beach clubs, casas noturnas sofisticadas, carrões ou da majestosa Ponte Hercílio Luz, agora reaberta. É a Florianópolis sem lei. Uma cidade que cresceu sem o olhar do planejamento e, tampouco, da permissão do poder público. Ela surgiu da omissão das gestões municipais.

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Quem era o turista gaúcho morto em comunidade de Florianópolis

Administrações que permitiram construções irregulares em áreas de proteção ambiental, ruas abertas sem nenhuma autorização, ausência de saneamento, gatos de energia e ausência do Estado. Na falta do poder público, o crime toma conta. Siri, Papaquara e parte do Rio Vermelho que o digam, embora estatisticamente com redução de criminalidade.

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Três turistas foram comprar maconha no Siri. Foram confundidos com inimigos e, por isso, baleados. Um morreu por engano. Em 2017, uma turista gaúcha também foi morta porque o carro em que estava entrou enganado numa rua no Papaquara, também no norte da Ilha de SC.

O que mudou de lá para cá nesses locais? Conseguimos estancar as construções irregulares? Mas que cidade é essa que ostenta indicadores de qualidade de vida e que alguém pode ser morto por pegar uma rua errada? Que cidade é essa em que alguém, mesmo indo comprar algo proibido (maconha), o que é errado, é morto após ser confundido com um traficante rival?

O Ministério Público de Santa Catarina já apurou, em amplo trabalho de investigação, que o crime organizado está por trás de construções irregulares e abertura de ruas clandestinas nos Ingleses. A prefeitura anunciou um sistema de monitoramento via satélite que identifica construções irregulares com atualização mensal. É pouco.

Existe tecnologia que atualiza o sistema a cada 48 horas. Embora existam ações demolitórias da prefeitura, a sensação que dá é de enxugamento de gelo. Da mesma forma que é preciso conter o avanço da favelização da cidade, é preciso, também, oferecer moradia digna para a população da baixa renda.

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E, hoje, não há nenhum projeto em andamento neste sentido na cidade, o que aumenta o desafio, porque Florianópolis continua atraindo cada vez mais gente de baixa renda e sem recursos para adquirir um imóvel ou pagar um aluguel de imóvel legalizado.

Assunto que precisa estar na pauta das eleições de 2020.