Operação autorizada pelo STF contra empresários erra em se basear em “conversa de boteco”

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Empresário Morongo, ministro Alexandre de Moraes e o empresário Luciano Hang (Foto: Alesc/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Anderson Riedel/Agência Senado)

Há um consenso no mundo jurídico, não apaixonado ideologicamente e técnico, de que a operação da Polícia Federal contra oito empresários apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (23), foi abusiva. 

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A leitura que fica é de que não há crime em defender idéias golpistas em um grupo de WhatsApp. Agindo assim, o STF alimenta, com razão, as críticas nas quais a corte recebe de praticar um ativismo político/judicial.

Por mais inapropriadas que sejam estas opiniões (e são), trata-se da liberdade constitucional de expressão que está sendo atacada. E num grupo fechado de rede social. Justificaria tal ato caso houvesse, claramente, alguma organização, um plano de ações para se colocar as ideias na prática. A menos que tenha-se indícios de que há algo maior, não faz sentido algum a operação realizada.

Pelo que foi apresentado até o momento, o STF expôs empresários como criminosos com base em “conversa de boteco” de zap zap. E faz mais, bloqueou as contas em redes sociais e decretou a quebra de sigilo bancário e telemático.

Juristas apontam, até então, abusividade no ato, principalmente pelas justificativas apresentadas sem provas concretas.

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Por mais absurdas ou inaceitáveis que sejam as teses, por exemplo, de quebra da ordem democrática ou desconfiança da urna eletrônica, ficando apenas no âmbito de conversa de WhatsApp, e sem provas ou indícios de algo concreto para que isso saia do “boteco” da rede social, o que se fez foi atentar contra a liberdade de expressão.

Como disse o advogado Davi Tangerino, ao jornal Folha de São Paulo: “Qual é o crime que essas pessoas estariam cometendo? Num grupo de conversas, achar que o golpe é uma boa ideia, isso em si não é crime, por mais que seja odioso, reprovável”.

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Em documento assinado por mais de 1700 advogados, eles apontam que o Brasil vive uma “escalada autoritária e persecutória de cunho ideológico e político”.

E quando decisões como essa são praticadas, toda a sociedade perde, pois se reduz (ao invés de ampliar) as garantias do cidadão (ainda mais sendo conversas que não configuram crime ou atos preparatórios), como ressalta o advogado e professor de direito constitucional, Rogério Duarte da Silva.

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E isso não pode ser tolerado, principalmente por quem defende a democracia, inclusive através de carta.

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