*Por Hassan Farias, interino
Joinville liderou o ranking de apreensões de adolescentes e jovens pela polícia no ano passado em Santa Catarina. Os casos registrados na cidade representam 19,3% de todas as apreensões realizadas no Estado. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina.
O número vem crescendo anualmente e chegou a 413 casos em 2017, o que representa um aumento de 175% em comparação com cinco anos atrás. Em média, acontece 1,1 apreensão de jovens e adolescentes por dia na cidade. As principais causas das apreensões são o tráfico de drogas e o roubo.
Segundo a delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCami), os números podem ser explicados por dois fatores. O primeiro é a forte presença de organizações criminosas em Joinville, que acabam envolvendo os jovens no crime. Aliado a isso, ela aponta como segundo ponto o reforço do efetivo da polícia no combate aos crimes.
Uma das estratégias da Polícia Civil para tentar reduzir o envolvimento de adolescentes e jovens com a criminalidade tem sido o trabalho com projetos sociais junto ao Case e ao Casep. Também há uma equipe de policiais trabalhando especificamente na inteligência da DPCami com essas infrações.
Jaraguá em segundo
Em segundo lugar do ranking aparece Jaraguá do Sul, com 243 apreensões de adolescentes e jovens apenas no ano passado. O número representa 11,36% de todos os registros em Santa Catarina. Assim como em Joinville, as apreensões na cidade têm crescido ano a ano. Em 2013, haviam sido apenas dez casos, o que equivalia a 0,59% de todo o Estado. Em um comparativo com cinco anos atrás, houve aumento de 2.330%. As principais causas para as apreensões são o porte de drogas para consumo próprio e os pequenos furtos.
Explicações
A delegada Milena de Fátima Rosa, da DPCami de Jaraguá do Sul, justifica o alto número de apreensões pela presença atuante da Polícia Militar na cidade. Segundo ela, muitos adolescentes são reiteradamente conduzidos para a delegacia por posse de drogas, o que hoje é inviável ser feito pela polícia em cidades maiores, como Florianópolis e Joinville. Para a delegada, os dados mostram o resultado do trabalho da polícia em atacar de verdade o problema.