Em nova atualização do planejamento, a Águas de Joinville passou a adotar metas mais cautelosas de expansão da rede de coleta de esgoto, agora com planos de atingir 50% de cobertura em 2022. Há menos de três anos, o plano era atingir o índice ao final de 2018. No passado, havia estimativas de alcançar 70% no início da atual década. O cronograma mais contido, de certa forma, reconhece as demandas burocráticas e operacionais para levar adiante um planejamento mais acelerado.
O tratamento de esgoto em Joinville é uma deficiência histórica. Os investimentos só deslancharam depois da municipalização do saneamento, concluída em 2005 após a criação da companhia Águas de Joinville. Hoje, a cobertura continua reduzida, de 32%, mas ainda assim é quase três vezes mais do que a herança deixada pela Casan, dona da concessão entre 1973 e 2003 (com dois anos em gestão compartilhada, até 2005).
No ranking do saneamento, montado pelo Trata Brasil, Joinville aparece no 73o lugar em um conjunto de 100 cidades. O estudo coleta diferentes indicadores, incluindo o sistema de abastecimento de água, mas é o esgoto que puxa Joinville para baixo.
Na busca dos 50%, o investimento mais graúdo está na zona Sul, com R$ 130 milhões a serem gastos em cinco anos. A instalação da rede iniciou em 2015 e deverá atender em torno de 20 mil moradias. Só aí, a cobertura avançará em quase 8%.
O mapa do planejamento incluiu também Jardim Paraíso, Vila Nova e Boa Vista (veja detalhamento no quadro, com R$ 328,7 milhões em investimentos em coleta e tratamento). Os passos seguintes estão sendo definidos agora, com análise se a rede se expande para o Leste (Aventureiro, Iririú, Comasa etc.) ou se será prolongada na zona Sul.
Nesse debate, há um tema sensível a ser definido: a localização das novas estações de tratamento de esgoto, tema de resistência das comunidades no entorno. A maior e mais antiga em atividade, no Jarivatuba, está em ampliação, com conclusão em março do ano que vem. Em meta a longo prazo, com chances de revisão, os 100% da universalização estão previstos para 2047, com o esgoto de toda a cidade sendo recolhido e tratado.
Nova estação prevista no rio Piraí
O início da nova estação de tratamento de água é o principal investimento em abastecimento previsto pela Águas de Joinville para os próximos cinco anos. Em 2022, a companhia pretende iniciar a construção no rio Piraí, em área perto da BR-101. No primeiro momento, a produção será de 750 litros por segundo (l/s), com possibilidade de ampliação para 1 mil l/s.
Será a segunda unidade no mesmo rio da zona Oeste de Joinvile.
A estação do Cubatão, já em ampliação, deverá chegar à capacidade de 1.850 l/s a partir de 2020, quando a obra estiver pronta. Esse rio fornece quase 70% da água consumida em Joinville. A busca de água do rio Itapocu, em provável ponto de captação em Guaramirim, está no radar, mas é opção é para longo prazo.
PRINCIPAIS INVESTIMENTOS EM SANEAMENTO*
* Montantes a serem investidos entre 2018 e 2022.
Eventuais recursos já gastos em determinadas obras não entram na conta.
ESGOTO
Ampliação da estação do Espinheiros – R$ 15,9 milhões
Bacia da zona Sul – R$ 130,3 milhões (mais 7,94% de cobertura)
Bacia do Boa Vista – R$ 14,1 milhões (mais 0,87% de cobertura)
Sistema Vila Nova – R$ 62,6 milhões (mais 4,45% de cobertura)
Sistema Jardim Paraíso – R$ 53,7 milhões (mais 3,92% de cobertura)
Estação do Jarivatuba – R$ 52,1 milhões (ampliação).
ÁGUA
Ampliação da estação do Cubatão – R$ 16,8 milhões
Obras previstas em Plano Diretor – R$ 12,1 milhões
Redes e reforços – R$ 25,8 milhões
Nova estação no Piraí – R$ 26,6 milhões (montante a ser gasto
em 2022, investimento total chega a R$ 70 milhões).
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