O plano de drenagem para controle de cheias em Joinville continua uma meta distante. Concluído em 2011, o estudo bancado com recursos do BID teve concluída apenas uma das 21 obras previstas. Uma segunda intervenção está em andamento e existem recursos para uma terceira. No horizonte, mais nada. Espantado com o atraso, o Ministério Público cobra agilidade, sem êxito.
Os custos são os principais entraves, ainda que não exatamente os únicos. Quando o Plano Diretor de Drenagem Urbana ficou pronto, há mais de sete anos, seria necessário R$ 1,3 bilhão para levar adiante as obras para reduzir os alagamentos na bacia do rio Cachoeira e seus afluentes, uma área que cobre boa parte da região urbana de Joinville. Ao partir da evidente situação de incapacidade do atual sistema de drenagem em escoar a água das chuvas, o plano propõe galerias subterrâneas, canalização, contenção, entre outras medidas.
Em 2014, com nova administração, o levantamento foi atualizado e os investimentos subiram para
R$ 2,2 bilhões. Nessa conta, é preciso retirar a macrodrenagem do rio Morro Alto, já realizada, e a instalação da galeria do rio Mathias, em andamento. Ainda assim, a despesa fica perto de R$ 2,1 bilhão. Atualizada pela inflação, sobe para R$ 2,5 bilhões. Em uma comparação, a prefeitura teve R$ 1,5 bilhão para gastar no ano passado, um montante para fazer funcionar centenas de escolas e postos de saúde, pagar os salários de 12 mil funcionários, cuidar da manutenção da infraestrutura, tocar obras etc. O município teria de ficar quase dois anos sem gastar um centavo para tirar o plano do papel.
Por isso a saída é buscar dinheiro fora. Inclusive do país. Empréstimo do BID pagou a drenagem do rio Morro Alto. Mas entre a contratação e a conclusão da obra, se passaram seis anos. Um novo financiamento com o banco internacional foi assinado em agosto do ano passado, após demora do governo federal na autorização. Só que ainda não saíram os projetos a ser licitados.
Problema para décadas
A drenagem do rio Itaum-açu, prevista no financiamento, é algo para o final de 2019, início de 2020, em estimativa otimista.
Há outra situação a ser enfrentada: o financiamento do BID prevê R$ 230 milhões e o Itaum-açu precisa de R$ 309 milhões – e o dinheiro do banco ainda precisa ser dividida com outros investimentos (parque e saneamento). Portanto, o plano precisa ser revisado ou a prefeitura terá de ir atrás de mais dinheiro.
É a única drenagem de rio com alguma previsão de ser realizada. Para as próximas da lista – o plano
montou um ranking das obras conforme custo e benefícios –, nos rios Bupeva e Bucarein, não há qualquer previsão de fonte de financiamento. Uma situação que deve se prolongar por décadas.
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