Frustrado com o desfecho, Udo Döhler preferiu se manifestar apenas por uma nota lacônica para comunicar a desistência de concorrer ao governo do Estado, motivada pelo fato de não ter conquistado apoio suficiente dentro do PMDB. O combinado do prefeito com a assessoria foi não comentar o tema com a imprensa. A decisão foi amadurecida nos últimos dias depois de uma série de sinais contundentes da dificuldade para viabilizar a candidatura dentro do PMDB.
O governador Eduardo Pinho Moreira, um a incentivar a candidatura de Udo em passado recente, passou a admitir abertamente a possibilidade de concorrer e deu entrevistas em Joinville apontando que eventual renúncia ao cargo de prefeito não era garantia automática de candidatura – teria que “percorrer o Estado”. Não houve nenhuma aproximação com Mauro Mariani, que em momento algum admitiu arredar pé da disputa (nem teve motivo para isso). Um dos principais incentivos para Udo articular sua candidatura era a história de que poderia ser o nome capaz de viabilizar a tríplice aliança – Raimundo Colombo seria simpático à ideia.
O prefeito de Joinville aceitou esse script e passou a citar a coligação ampliada como uma das metas. Só que não foi feito nenhum movimento mais consistente para formar a aliança e nem Udo poderia capitanear esse esforço se não tinha aval do próprio partido. O fato de a bancada do PMDB, por meio de telefonema do líder do governo na Assembleia ter cancelado jantar na semana passada, após encontro com Mariani acabou sendo o alerta final, pois o deputado tinha vindo de encontro com Pinho Moreira: ou seja, as duas principais lideranças definitivamente não iriam apoiá-lo. A renúncia à Prefeitura acabaria se transformando em aposta de risco elevado demais.
Mas como?
Os motivos de desistência de Udo não surpreendem. O que realmente é espantoso é o prefeito de Joinville ter considerado em algum momento que poderia montar em curto espaço de tempo uma articulação capaz de lhe dar a candidatura ao governo do Estado.
A condição de representar uma novidade política na esfera estadual, aliada ao fato de ser empresário, não eximiria o prefeito de fazer as costuras com antecedência e abrangência maiores.
No ano passado, Udo chegava a evitar viagens pelo Estado para não dar a impressão de que seria candidato. Quando resolveu dar o sprint, já era tarde.
Mais cedo
A nota sobre a desistência de concorrer seria lançada no final da tarde. Mas foi antecipada para as 12h30 porque o pessoal de Udo identificou movimento de que lideranças do PMDB poderiam tentar uma última conversa para o prefeito pensar mais uns dias. Tal movimento foi interpretado como tentativa de as mesmas lideranças se eximirem de se desvincularem da desistência de Udo – “ele que quis desistir” – e a nota foi lançada imediatamente antes que o movimento ficasse maior. Quanto ao nome a ser apoiado por Udo para o governo, a decisão ainda vai demorar.
Em janeiro
Até teve muito falatório e articulação depois, mas Eduardo Pinho Moreira tinha razão quando contou em reunião da executiva do PMDB, ainda em janeiro, que Udo Döhler não iria renunciar à Prefeitura para tentar concorrer a governador. Pinho tinha se reunido pouco antes com o prefeito.
Apoios à candidatura
Nos bastidores das articulações envolvendo o nome de Udo como candidato aO governo, atuaram lideranças, principalmente empresariais. No entanto, esse pessoal se manteve reservado na maioria das vezes, não se viram muitas manifestações públicas.
Hora da conversa
Assim que soube da desistência de Udo, Mauro Mariani repetiu que nunca teve problema em conversar com o prefeito de Joinville e que logo terá mais contatos.