PEC tenta impedir que Alesc eleja sucessor em caso de impeachment de governador e vice

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Coluna de sábado de Upiara Boschi

Há coisas coisas na política que não se diz em voz alta – por pudor, constrangimento ou para não afugentar os passarinhos. Neste momento, uma delas trata da possibilidade de que os pedidos de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) adormeçam nas gavetas da Assembleia Legislativa até terminar 2020 – e não haveria nenhuma relação com o coronavírus neste adormecer.

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Está claro no parlamento estadual que das peças apresentadas contra o governador a mais adequada para uso é aquela que questiona a equiparação salarial dos procuradores do Estado com os da Assembleia Legislativa. Ela teria maior consistência jurídica após a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que considerou irregular a operação, mas – principalmente – ela atingiria Moisés e a vice-governadora Daniela Reinehr (PSL), forçando novas eleições por causa da dupla vacância no comando do Estado. Pelas regras atuais, eleição direta se a cassação vier nos dois primeiros anos de mandato, indireta – escolha feita pelos 40 deputados estaduais – a partir do ano que vem.

Por isso, o impeachment em banho maria. Quando se trata de crime eleitoral, essa regra da eleição indireta nos últimos dois anos de mandato já caiu para seis meses. Nos outros casos, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que os Estados têm autonomia para estabelecer a regra. Durante a semana, o deputado estadual Bruno Souza (Novo) colhia assinaturas para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estabelecendo também a eleição indireta apenas nos últimos seis meses de mandato. Vou chamar aqui de emenda anti-golpe.

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Moisés e Daniela foram eleitos a bordo da onda Bolsonaro, em clima de antipolítica e voto de protesto. Mas foram eleitos por 71% dos eleitores catarinenses. Mesmo que parte deles tenha se arrependido do gesto, é um despropósito que sejam cassados por um parlamento que logo em seguida teria o direito de escolher o próximo governador – com votos apenas dos 40 deputados, 0,009% do eleitorado catarinense.

Se tudo isso for futrica de bastidor, fofoca política, menos mal. Mas não custa nada, mesmo assim, que parlamentares assinem, votem e aprovem a PEC de Bruno Souza. Acabaria de vez com esse tipo de rumor que não se diz em voz alta – por pudor, constrangimento ou para não afugentar os passarinhos.

Linha ocupada

O deputado estadual Ivan Naatz (PL) só quer conversa com o governador Carlos Moisés (PSL) se for na CPI dos Respiradores, mas não resistiu a experimentar o telefone vermelho que o colega Laércio Schuster (PSB) colocou no plenário para ironizar o aparelho comprado pelo governador exclusivamente para falar com os parlamentares.

Factoide da CPI

Aprovada unanimemente pela CPI dos Respiradores, foi mero factóide do relator Ivan Naatz o chamado para que o governador Carlos Moisés fosse ouvido na investigação. Na reunião, os demais integrantes não sabiam que o requerimento ainda passaria pelo crivo da Procuradoria da Alesc – que depois atestaria que um governador não pode ser convocado, no máximo convidado, algo que todos já sabiam. Moisés vai mandar uma declaração por escrito.

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Frase da semana

Neste processo nós temos um omisso, nós temos um delegador, nós temos o desesperado, nós temos o ligeiro e nós temos o burocrata. Foi o que passou por aqui.

Kennedy Nunes (PSD), deputado estadual, durante a CPI que apura a compra dos respiradores fantasmas. A brincadeira é apontar quem é quem.

Cena nova

A cena seria praticamente impossível meses atrás: na mesa de reuniões do governador Carlos Moisés (PSL), lado a lado, o deputado estadual Ricardo Alba (PSL) e o prefeito blumenauense Mario Hildebrant (Podemos), possíveis adversários nas eleições municipais deste ano. Mais do que capitalizar sobre os R$ 4 milhões para obras no aeroporto de Blumenau, uma sinalização de que o governo está mais disposto a compartilhar as boas notícias.

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Anarcocapitalistas

Quando você perceber que para produzir precisa da autorização de que não produz nada será tarde demais. Para que a sociedade seja livre seu governo deve ser controlado. Não existe dinheiro público, existe dinheiro do pagador de impostos. As duas primeiras frases são da filósofa Ayn Rand e a terceira é da ex-primeira ministra inglesa Margaret Tatcher, expostas esta semana em outdoors em Florianópolis com patrocínio de um grupo intitulado Ancapistão Brasil.

As frases dos outdoors são slogans do pensamento liberal e provocam imediata reação contrária à esquerda, como foi registrado nas redes sociais. Reação desnecessária, pois as frases são quase platitudes: qualquer governo precisa de controle externo; ser contra a burocracia estatal não é necessariamente ser contra o Estado; no Brasil até mendigo paga imposto (25% do corote, a popularíssima e barata vodka saborizada em garrafa plástica, é ICMS).

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Concisas

– Os emedebistas Mauro de Nadal e Luiz Fernando Vampiro se movimentam pela presidência da Alesc em 2021. Geralmente é assim que o MDB começa a perder a cadeira.

– Comentário no Centro Administrativo após a entrevista em que Luiz Felipe Ferreira, da CGE, aponta a servidora Márcia Regina Pauli como principal responsável pela desastrosa compra dos respiradores: “por que não disse isso na CPI?”.

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– Nos bastidores, a nova tríplice aliança teria MDB, PSD e DEM. Mas quem puxa a carroça?

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