Um ato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, na última quinta-feira (5), proporcionou imagens impactantes (veja abaixo) na luta que o Estado precisa encarar de repressão à violência contra mulher. Autoridades dos Poderes e da sociedade civil entraram no auditório Antonieta de Barros carregando 52 sapatos vermelhos. Eles simbolizaram cada um dos feminicídios registrados nas cidades catarinenses em 2025. O evento foi proposto pela deputada estadual Luciane Carminatti (PT), procuradora da Mulher na Assembleia Legislativa.
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Os registros fotográficos feitos no evento demonstram que diferentes braços da sociedade começam a se envolver diretamente neste problema crônico que envolve segurança pública, saúde, assistência social, entre outros setores. As imagens, diretamente, impõem uma reflexão para Santa Catarina sobre o momento em que vivemos e como cada um pode contribuir para evitar que esta triste realidade continue se repetindo ano após ano.
Na abertura do ato, o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD) destacou que o feminicídio é o desfecho de um ciclo de violência que começa muito antes do assassinato. Segundo ele, os números registrados no estado mostram que o problema não surge de forma repentina. Garcia lembrou dos mais de 30 mil pedidos de medidas protetivas expedidos em 2025. Para o presidente do Legislativo, enfrentar o problema exige responsabilidade coletiva: “Cada um de nós precisa fazer a sua parte, dentro de casa, educando os filhos para o respeito, e também nos espaços de trabalho e nas instituições.”
Veja fotos do ato na Alesc
Luciane Carminatti, no discurso, afirmou que os dados não podem ser naturalizados: “Esse encontro não aconteceu por acaso. Foi uma decisão: nós não aceitamos mais. Cada pessoa precisa se perguntar qual atitude está tomando no seu espaço — no trabalho, na escola, na política, dentro de casa. Combater o feminicídio exige enfrentar a cultura do machismo que ainda estrutura muitas relações na nossa sociedade”. Ela também defendeu mudanças concretas nas políticas públicas, desde delegacias abertas quando as mulheres precisam até ações educativas nas escolas.
Representantes dos demais Poderes também se manifestaram. Tanto o MP-SC, como o TCE-SC, o Executivo e o Judiciário, expuseram visões e iniciativas próprias para o enfrentamento a este cenário. No seminário, ocorreu a assinatura de um Termo de Compromisso entre os Poderes pela Vida das Mulheres em Santa Catarina.
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O documento estabelece oito compromissos assumidos coletivamente pelas instituições. Um prazo foi estabelecido: em dez meses, os envolvidos deverão apresentar resultados concretos sobre os compromissos firmados.









