Em uma região marcada por sobrenomes europeus e pelo protagonismo no mercado imobiliário de alto padrão, uma história de disciplina oriental ajudou a moldar parte da transformação do litoral norte de Santa Catarina. À frente da Construtora CK, Charles Kan, 35 anos, representa a segunda geração de uma família que construiu no Estado mais do que prédios: consolidou reputação.
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Filho de Carlos Kan, imigrante chinês que deixou o país de origem ainda jovem, fugindo da guerra, Charles cresceu ouvindo que “disciplina e palavra” são ativos que não se negociam. O pai começou com um pequeno negócio em São Paulo, passou por diferentes ofícios, do trabalho manual ao varejo, até estruturar operações maiores. Aprendeu gestão na prática, antes mesmo de o termo virar tendência.
– Meu pai sempre dizia que não existe segunda chance para quem é empreendedor. O prejuízo passa, mas o nome fica. Essa cultura de honra é a base da CK – afirma Charles.
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Quando a família se mudou para Navegantes, o patriarca enxergou no Litoral Norte um ciclo de prosperidade em formação. Décadas depois, a região concentra algumas das cidades líderes em valorização imobiliária do país, como Itajaí, Navegantes, Balneário Camboriú e Itapema.
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Aos 19 anos, Charles fundou a CK. O primeiro projeto, o edifício Monte Carlo, foi o ponto de partida de uma trajetória que completa 15 anos em 16 de dezembro. Nesse período, a construtora entregou 15 empreendimentos e 957 unidades habitacionais. Hoje, são cerca de 250 colaboradores diretos.
Nos lançamentos mais recentes, como o Artefacto Towers by CK e o Habitah Praia Brava, em Itajaí, a estratégia inclui parcerias com marcas brasileiras de mobiliário e design e arquitetos reconhecidos nacionalmente. A empresa acumula VGV que ultrapassa a casa dos bilhões e projeta lançar mais de R$ 2,3 bilhões em novos empreendimentos nos próximos anos.
Para o empresário, o diferencial não está no protagonismo individual.
– O que nos diferencia é a potência do coletivo. Aqui ninguém se sobressai sozinho. É o grupo que sustenta o time – diz.
A filosofia de “honrar o que prometeu” foi incorporada ao modelo de gestão. A CK mantém balanços auditados, adota práticas de governança e certificações técnicas, além de padrões construtivos acima do exigido.
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– O mercado imobiliário é de longo prazo. Não é feito de atalhos, mas de credibilidade. E credibilidade se constrói – afirma.
O caminho até o alto padrão, segundo Charles, foi pavimentado pela disciplina herdada da cultura oriental e pela capacidade de adaptação à realidade local, com valorização de talentos brasileiros. Aos mais de 80 anos, Carlos ainda acompanha a trajetória do filho. O que começou como continuidade familiar transformou-se em legado empresarial em uma das regiões mais valorizadas do Brasil.
Para os próximos cinco anos, a meta é manter o ritmo de expansão com cautela.
– Nosso papel é continuar entregando o que prometemos: prédios, empregos e credibilidade. O resto é consequência. No fim, o que fica é o respeito. E isso eu não negocio – conclui Charles Kan.









