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Intolerância

A pessoa ao seu lado votará em quem você não gosta

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Por Ânderson Silva
25/09/2018 - 12h17

Estas eleições acentuaram um novo perfil do eleitor brasileiro: o intolerante. Ele não aceita a opinião alheia, seja de quem for. Pode ser mãe, pai, irmã, irmão, tio, tia, amigo ou amiga. Basta ser contrário ao que ele defende. Para reforçar sua tese, agride o outro. Usa as redes sociais – afinal lá é mais fácil, não precisa dialogar cara a cara. Então, posta fotos montadas e notícias falsas com palavras autoritárias. Como diz o especialista em comportamento eleitoral, Sergio Saturnino Januário, “a rede social viabiliza a covardia”. A ideia, basicamente, é diminuir o adversário.

Discordar não é proibido. Pelo contrário, faz parte da democracia. O que trato aqui é a forma. E o resultado está no cenário atual. As eleições de 2018 se tornaram um campo de futebol com direito a todos os seus ingredientes. Torcedores adversários inflados, com jogadores atuando para o público. Todos se encaram como inimigos.

E podem até ser melhores amigos, mas é só um deles indicar em quem votará que o impasse está formado. Diferente do ideal, a discussão não entra no campo político, das propostas dos candidatos. Começa ali a agressão. Enquanto a intolerância domina, ficam de lado os planos de governo.

Aliás, aposto que poucos tenham lido ou saibam como eles são feitos. A maioria está preocupada com o próximo ataque. Mas e o seu candidato? O que ele pensa, o que está apresentando? Por que é tão difícil falar sobre isso? Não importa a expressão do adversário. O fato de ele aparecer positivamente incomoda. Aí começa a pancadaria: “o diálogo se torna de violência, de ódio de eliminação”, resume Eduardo Guerini, especialista em sociologia política.

A tendência nos próximos dias é de um acirramento dos ânimos. Pelas últimas pesquisas, o segundo turno se desenha com dois lados fanáticos, ambos protagonistas dos embates mais intensos destas eleições. Nem mesmo o condenável atentado contra um dos candidatos, mais um sinal do clima de eliminação, foi capaz de reduzir a animosidade.

Então, tente fazer sua parte. Afinal, a pessoa ao seu lado pensa diferente de você na hora de votar, mas ainda continua sendo seu colega de trabalho, amigo, familiar. Por mais absurdo que isso possa parecer, todos têm seus motivos para fazer suas escolhas. Em 29 de outubro, vocês estarão sentados um ao lado do outro, ou até abraçados. Nesse momento, o melhor é aceitar que ele votará em quem você não gosta.

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Esta coluna foi originalmente publicada na newsletter semanal "Eleições 2018", exclusiva para assinantes. Quer receber as principais notícias sobre o cenário eleitoral de SC no seu e-mail? Assine o DC.

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Ânderson Silva

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Ânderson Silva

Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

anderson.silva@somosnsc.com.br

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