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Bolsonaro usa Santa Catarina como salão de festas

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Por Ânderson Silva
07/08/2021 - 12h39 - Atualizada em: 07/08/2021 - 13h35
Presidente Bolsonaro em Joinville, nesta sexta-feira, 6 de agosto
Presidente Bolsonaro em Joinville, nesta sexta-feira, 6 de agosto (Foto: Alan Santos/PR)

Indiscutivelmente, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se sente bem em Santa Catarina. Não à toa que veio 10 vezes em dois anos e sete meses ao Estado. Ele se aproveita da alta popularidade nas Eleições de 2018 em solo catarinense para marcar agendas periódicas por aqui. Os políticos de SC o recebem sempre com muita alegria, fotos e postagens em redes sociais. Garantem que o tapete verde e amarelo - já que o vermelho ele não gosta muito - esteja sempre estendido. O que tem faltado mesmo é Bolsonaro cumprir o que se espera dele como gestor público: anúncios e investimentos para os municípios catarinenses. O erro não está em ter grande apoio. O erro está em nada vir de benefício disso tudo. 

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Como escrevi nesta sexta-feira (6), a maioria das visitas do presidente da República ao Estado foi para agendas sociais. E assim foi novamente. Bolsonaro foi a Joinville e nada anunciou. Palestrou, recebeu apoios e nada prometeu. Somente "entregou" caminhões aos Bombeiros Voluntários doados pelo Exército no começo de 2020.

Em Florianópolis, neste sábado, só fez motociata. Não que faltassem assuntos locais para ele tratar. Como bem sabemos, sobram oportunidades federais em SC para que o presidente desse pelo menos alguma posição sobre possíveis investimentos.

Mas, outra vez, isso não aconteceu. Bolsonaro preferiu a comemoração, o abraço no meio da pandemia, a aglomeração e os agrados políticos. Fica cada vez mais claro que o presidente da República usa Santa Catarina como um salão de festas onde faz suas motociatas, passa férias e recebe o apoio que não encontra com tanto peso em outros lugares do país. Está aqui a reprodução de um apoio que já veio em 2018. Para a reeleição, entretanto, Bolsonaro terá que ver o mesmo retorno nos demais Estados, já que SC representa 3,5% do eleitorado brasileiro.

Enquanto isso, ele foca onde já é bem recebido para, visivelmente, continuar com seus ataques à democracia e se sentir numa realidade que somente os catarinenses podem proporcionar. Só que isso não pode maquiar o fato de que as necessidades públicas devem ser maiores do que a popularidade ou a disputa política de 2022. Além de que os ataques à democracia são constantes no roteiro das "festas" em terras catarinenses.

Melhor seria, obviamente, se o Estado tivesse proporcionalmente o retorno dessa repectividade toda em investimentos. SC merece muito mais do que ser apenas destino turístico e um salão de festa. SC merece que as rodovias tenham as obras aceleradas, que o aeroporto de Navegantes tenha uma nova pista, que o Contorno Viário da Grande Florianópolis seja logo concluído e que as famílias atingidas pela pandemia recebam atenção suficiente. Ainda há tempo para isso, basta Bolsonaro querer.

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Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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