Com a chegada do período eleitoral, algumas figuras ganham protagonismo, seja pela composição das chapas de outubro, seja pelo peso político que dão aos projetos em jogo. Em Santa Catarina, em todas as regiões do Estado há informações sobre prefeitas e prefeitos que devem renunciar aos atuais mandatos para disputar a eleição. Responsáveis por liderar os municípios, essas figuras terão um peso importante nas definições e nas urnas.

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Esta reportagem selecionou 10 pontos do Estado onde deve haver maior influência nas composições estaduais, seja pela candidatura de prefeitos, seja pelo apoio aos projetos estabelecidos. O governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), são os nomes que mais têm movimentado as prefeituras em busca de apoios.

Confira abaixo o cenário de cada um dos principais pontos do Estado em relevância eleitoral:

Joinville

O prefeito Adriano Silva (NOVO) é, atualmente, fiel da balança do jogo político para a disputa do governo de Santa Catarina em 2026. Enquanto ele descartava qualquer possibilidade de ser candidato a governador, o NOVO criou um movimento interno para convencê-lo. O cenário atual é de indefinição. O prazo para as renúncias dos prefeitos que vão disputar a eleição é 4 de abril. Até lá, Adriano terá de decidir entre a própria vontade, que é a de permanecer os quatro anos na prefeitura, ou a vontade do partido, que é tê-lo como candidato ao governo do Estado.

Os levantamentos mais recentes das siglas colocam o prefeito de Joinville com um percentual positivo. Ainda distante de Jorginho e João Rodrigues, mas suficiente para dar a Adriano um peso importante nas composições. Em 2025, o prefeito chegou a sinalizar apoio ao atual governador para a reeleição. As conversas, porém, esfriaram com a intenção do NOVO de ter candidatura própria.

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Para além do eventual envolvimento direto ou indireto do prefeito na eleição, a vice-prefeita Rejane Gambin, também do NOVO, é pré-candidata a deputada federal. Caso Adriano renuncie, ela assumiria a cadeira de prefeita, o que pode mudar seus planos políticos.

Florianópolis

Desde 2023, o prefeito Topazio Neto (PSD) e Jorginho Mello mantêm uma relação estreita. Jorginho apoiou Topazio na eleição municipal de 2024 e indicou a vice da chapa, Maryanne Mattos. Em contrapartida, Topazio vai apoiar Jorginho em 2026, mesmo estando no PSD de João Rodrigues.

O clima entre os pessedistas não é dos melhores para Topazio por conta dessa escolha, mas ele se mantém firme no projeto e pode até trocar de partido caso o PSD realmente tenha candidatura própria. Topazio chegou a ser cotado para ocupar a cadeira de vice de Jorginho, mas essa possibilidade esfriou consideravelmente. Ele deve permanecer no cargo e cumprir os quatro anos da atual gestão.

Ao mesmo tempo, será um dos principais cabos eleitorais de Jorginho nos municípios de Santa Catarina. Atual presidente da Federação dos Municípios (Fecam), Topazio tem acompanhado o governador pelo Estado em eventos.

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São José, Palhoça e Biguaçu

As três cidades que formam o cinturão da BR-101 na Grande Florianópolis tiveram movimentos políticos semelhantes nos últimos meses. São José e Biguaçu, principalmente, viram seus prefeitos se aproximarem de Jorginho. Orvino Coelho de Ávila, mesmo sendo do PSD, resolveu se conectar politicamente ao governador para ter acesso a recursos estaduais para obras. Com um caixa apertado, Orvino não tinha outro caminho, mesmo que isso o colocasse em uma situação delicada na relação com João Rodrigues. A aproximação foi feita com o aval de importantes lideranças pessedistas.

Em Biguaçu, o prefeito Salmir da Silva, que é pré-candidato a deputado estadual e vai renunciar em abril, saiu do MDB e migrou para o Republicanos. A sigla também está sob comando indireto de Jorginho, que tem o irmão como vice-presidente. Salmir se aproximou do governador e está no projeto de reeleição.

Por fim, em Palhoça, o prefeito Eduardo Freccia está no PL desde 2023 e assim deve permanecer. O deputado estadual Camilo Martins, atualmente no Podemos e ex-prefeito de Palhoça, também deve migrar para o PL.

Blumenau

A terceira maior cidade de Santa Catarina é mais uma onde Jorginho terá apoio político. Tanto o atual prefeito, Egídio Ferrari, quanto o ex-prefeito Mário Hildebrandt estão no PL. Atualmente, ambos não vivem um bom momento de entendimento. Porém, no apoio à reeleição do governador, estarão juntos.

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Mário é pré-candidato a deputado estadual. Já a atual vice-prefeita, Maria Regina Soar, migrou do PSDB para o Republicanos, também dentro do projeto de Jorginho. Ela vai disputar uma cadeira de deputada federal.

Itajaí

A principal cidade portuária do Litoral catarinense também dará forte suporte político à reeleição de Jorginho. Tanto o prefeito Robison Coelho quanto o vice, Rubens Angioletti, são do PL. Assim, os liberais devem atuar com intensidade no projeto do governador. Desde que o atual prefeito assumiu o comando da cidade, Jorginho já esteve diversas vezes no município para eventos e obras.

Um dos anúncios mais aguardados para este ano, com impacto eleitoral, é o início dos trâmites burocráticos para as obras do túnel submerso entre Itajaí e Navegantes. O governo do Estado vai aportar recursos em apoio ao dinheiro que virá de empréstimo externo para a obra.

BC e Camboriú

As cidades-irmãs são comandadas por pai e filha alinhados ao projeto de João Rodrigues (PSD). Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, e Juliana Pavan, prefeita de Balneário Camboriú, são considerados dois ativos importantes no projeto pessedista para o governo de Santa Catarina. Nenhum dos dois será candidato em 2026, mas ambos são peças relevantes para os projetos.

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Tanto é que Jorginho fez gestos em direção aos dois ao longo de 2025. Um dos movimentos foi a estadualização do Hospital Ruth Cardoso, um pedido antigo de Balneário Camboriú, que administrava a unidade por meio do município.

Mesmo assim, a família Pavan permanece no projeto de João Rodrigues. No início de 2026, em um pequeno evento em Itapema que teve o prefeito de Chapecó como destaque, pai e filha estiveram presentes.

Chapecó

A maior cidade do Oeste é, por enquanto, a única que tem disposição anunciada de o prefeito disputar o governo de Santa Catarina. A intenção de João Rodrigues é tamanha que ele já marcou a data para renunciar ao cargo: 23 de março. O momento deve ser marcado por um ato político que dará o pontapé inicial da pré-campanha pessedista rumo à Casa d’Agronômica.

No lugar de João, assume Valmor Scolari, atual vice-prefeito. Scolari já foi vereador e secretário municipal e também é filiado ao PSD.

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Com alta aprovação nas urnas em 2024, na disputa pela reeleição, João aposta na força do Oeste para a arrancada. Com boa relação com os prefeitos das demais cidades da região, ele ainda terá a missão de estadualizar seu nome.

Criciúma

Comandada pelo PSD, a prefeitura de Criciúma costuma ter bastante força nos jogos políticos. O prefeito Vaguinho Espíndola é ligado ao presidente da Alesc, Julio Garcia, que tem grande peso nas definições políticas e mantém base sólida no Sul catarinense. Ambos estão no projeto de João Rodrigues, apesar das diversas tentativas de aproximação de Jorginho, seja com convites para Julio ser vice na chapa de reeleição, seja com o envio de recursos estaduais para a prefeitura de Criciúma.

Assim como Balneário Camboriú e Camboriú, Criciúma é uma das cidades onde o PSD mais aposta na força política do prefeito para impulsionar o pré-candidato pessedista.

Lages

Alinhada ao governador Jorginho desde os primeiros dias da atual gestão, Carmen Zanotto disputou a prefeitura de Lages em 2024 por insistência e atendendo a pedidos dele. Eleita pelo Cidadania, ela migrou para o Republicanos no final de 2025, com a missão de futuramente comandar a sigla.

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Com isso, a cidade serrana será mais um ponto de apoio a Jorginho na eleição estadual. O governador também tem sido presença frequente no município nos últimos meses, seja para participar de eventos, seja para entregar obras.

Carmen, por sua vez, não disputará a eleição em 2026, algo diferente em sua trajetória, acostumada a concorrer a deputada federal. Desta vez, deve lançar um nome para a corrida. O favorito é Samuel Ramos, chefe de gabinete da prefeita.

Concórdia e Joaçaba

Nas duas principais cidades do Meio-Oeste, os apoios políticos são distintos. Em uma delas, o prefeito é do partido de um pré-candidato com menos holofotes do que Jorginho e João, mas que se apresenta no tabuleiro para 2026. É o caso de Joaçaba, onde Vilson Sartori (PSDB) é do mesmo partido do deputado estadual Marcos Vieira. O parlamentar anunciou que pretende disputar o governo neste ano. Assim, Joaçaba deve ser a maior prefeitura catarinense embarcada no projeto tucano.

Em Concórdia, por sua vez, Jorginho terá mais um palanque puxado por prefeito. Edilson Massocco, que já foi deputado estadual e chegou a liderar a base do governo na Alesc, é o atual prefeito e mantém forte ligação com o governador.

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