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    Mudança de realidade

    Como um dos pontos mais perigosos de SC zerou os assassinatos

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    Ânderson
    Por Ânderson Silva
    20/05/2019 - 04h00 - Atualizada em: 20/05/2019 - 17h22
    (Foto: Divulgação)

    Uma mudança de realidade em comunidade dominadas pelo tráfico não se dá apenas pelo uso da polícia, armas, tiros e prisões. Um exemplo claro de como a mescla entre segurança e assistência social, associada à ações de educação e saúde, é o caminho para a retomada do espaço está na Vila União, em Florianópolis.

    A pequena comunidade, formada por moradores que na década de 1990 que se instalaram na região continental da Capital e depois foram levados pela prefeitura para casas populares no Norte da Ilha, tornou-se nos últimos anos um dos pontos mais perigosos de Santa Catarina. Palco de chacinas e disputa intensa entre facções criminosas, era dominada pelo crime.

    Em agosto de 2018, ou seja, há menos de um ano, a Polícia Militar (PM) começou lá a operação Mãos Dadas. Primeiro, os policiais passaram a ocupar a região com presença constante. Assim como ocorre até hoje, as equipes ficam 24 horas por dia dentro da pequena comunidade.

    Depois, sob o comando da capitã Gabriela Bortolini, a corporação assumiu as rédeas de um papel que deveria ser do poder público. Passou a dar para a Vila União uma estrutura que a população local não conhecia. Mais do que segurança, o projeto ofereceu dignidade aos moradores e garantiu a retomada do local.

    As ruas da comunidade até hoje não têm sequer nome. As entregas dos Correios ficavam na rua principal e muitas vezes dependiam da boa vontade dos criminosas para chegar aos destinatários. O Mãos Dadas se mobilizou e agora aguarda uma votação na Câmara de Vereadores para conseguir nomear as ruas.

    — Quem vai lá (Vila União) hoje nem acredita que é o mesmo lugar. Num primeiro momento tinha barricadas na entrada, não entrava Comcap, Celesc, Casan. Além do choque de ordem, procuramos levar esses serviços públicos. Tudo foi revitalizado_ relata a capitã.

    Outro processo necessário foi a reconstrução da imagem da PM com os moradores. Antes, a imagem era de repressão, confrontos. Agora o clima mudou. Um exemplo é a reforma de um espaço comunitário que estava abandonado. Os moradores recuperaram o espaço e cederam para os policiais, que antes ficavam dentro de um ônibus. Mais recentemente, na semana passada, a prefeitura e a Associação de Basquetebol se uniram com força ao projeto e destinaram R$ 600 mil para reformas e a contratação de profissionais de educação e saúde. Tudo com o apoio de uma associação de moradores recém-criada. Isso tudo em nove meses.

    A mesma operação está em andamento no Morro do Mocotó, na região central de Florianópolis. A dificuldade é maior por lá por conta do tráfico intenso, mas a ação também trouxe resultados positivos. Assim, as duas comunidades mostram que não é impossível mudar a realidade de pontos conflagrados de forma organizada com segurança e assistência social andando juntas.

    O comando

    A capitão Gabriela Bortolini foi a escolhida pelo comando-geral da PM para estar à frente do Mãos Dadas na Vila União. Além do trabalho policial, ela foi a responsável por liderar os projetos de assistência social que entraram na comunidade. A busca pelos nomes das ruas, por exemplo, partiu da oficial.

    Todos querem

    Os efeitos positivos da operação Mãos Dadas na Vila União deixaram outros pontos da Capital e do Estado com os olhos brilhando para a oportunidade de ter suas comunidades com o mesmo projeto. A PM, no entanto, trata com cautela o assunto já que considera cada caso com sua peculiaridade.

    Divulgação
    (Foto: )

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