Em duas semanas, os movimentos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o colocaram em um cenário turbulento, reacenderam as expectativas da esquerda em relação a Lula (PT) e ainda complicaram a vida de aliados de primeira hora, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Desde o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que citou Bolsonaro na abertura da carta enviada ao Brasil, o quadro político se reorganizou. Ao mesmo tempo, o ex-presidente envolveu-se em uma delicada situação jurídica que levou a Polícia Federal (PF) a pedir medidas cautelares de restrição, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridas nesta sexta-feira (18).

Continua depois da publicidade

A tornozeleira eletrônica e as restrições impostas a Bolsonaro são parte do resultado da estratégia que ele resolveu adotar junto com o filho, Eduardo. Os efeitos começaram com o tarifaço de Trump. A mudança na tarifa de exportações brasileiras para os Estados Unidos mobilizou empresários e entidades da indústria em reação. O que poderia ter impacto negativo para o atual presidente da República, como esperava Bolsonaro, teve, na verdade, efeito oposto.

Como o empresariado se sentiu fortemente atingido, Lula e seus aliados agiram para unificar o setor. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, liderou as articulações e se aliou aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Simultaneamente, Lula ganhou novo fôlego no cenário eleitoral para 2026, após enfrentar uma séria turbulência causada por ações do governo federal na área econômica.

O discurso em defesa da soberania começou a ganhar força, e a esquerda se fortaleceu com a narrativa do “nós contra eles”. A decisão do STF de impor a tornozeleira eletrônica a Bolsonaro, nesta sexta-feira (18), limita suas ações e coloca seus aliados em situação ainda mais delicada.

É o caso do governador de São Paulo. Tarcísio chegou a bater de frente com bolsonaristas logo após o tarifaço. Analistas do centro do país entendem que o governador paulista perdeu politicamente ao, num primeiro momento, deixar de apoiar o setor econômico diante da nova tarifa americana. Assim, foi quem mais perdeu força na corrida para 2026.

Continua depois da publicidade

Em síntese, nas últimas duas semanas, Bolsonaro foi capaz de atingir diretamente os planos da direita para o ano que vem, e ainda prejudicar a si próprio.