Grupos de empresários de cidades do Litoral catarinense já investiram mais de R$ 17 milhões na elaboração de estudos e projetos técnicos destinados a obras de interesse público. O modelo, que ganhou força em Balneário Camboriú e Itajaí e passou a inspirar iniciativas em municípios como Porto Belo, Bombinhas e Gaspar, busca antecipar uma das etapas mais demoradas da infraestrutura urbana: a contratação dos projetos que orientam as licitações e a execução das obras.

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Um dos principais exemplos é o Instituto + BC, que reúne cerca de 40 empresas e já destinou mais de R$ 10 milhões a iniciativas para Balneário Camboriú. O grupo participou da elaboração dos estudos que permitiram tirar do papel o alargamento da Praia Central, discutido por mais de 20 anos, e custeou o projeto de reurbanização da orla. Também financiou a atualização técnica do parque inundável, necessária para garantir R$ 73 milhões destinados à segurança hídrica da cidade.

– Toda cidade deveria ter grupos de empresários dispostos a apoiar o poder público na elaboração de projetos. Muitas obras enfrentam atrasos, aditivos e até disputas judiciais porque começam com projetos incompletos ou mal detalhados. Quando a iniciativa privada contribui com experiência técnica e planejamento, aumenta a segurança da execução e melhora o uso dos recursos públicos – destaca o presidente do Instituto + BC, Marcos Gracher.

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Veja fotos dos projetos

Em Itajaí, mais de 60 empresas formaram o Instituto Mais Itajaí e já investiram mais de R$ 6 milhões em projetos estruturantes para as próximas décadas. Entre as propostas estão o masterplan do novo Terminal de Cruzeiros, a ligação da BR-101 à Praia Brava, novo eixo para conectar o bairro Murta à Via Expressa Portuária, ligação entre as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda, trevo da BR-101 com a avenida Reinaldo Schmithausen, além de um programa municipal de habitação de interesse social. Os estudos são financiados pelos associados e doados ao Município ou à União para subsidiar processos de licitação e execução.

– O Instituto reúne empresas que atuam em Itajaí e entenderam que também têm responsabilidade com o futuro da cidade. É uma forma de devolver parte do que ela nos proporcionou, transformando demandas antigas em projetos técnicos. A iniciativa privada pode contribuir com recursos e agilidade, mas as entregas dependem da cooperação com o poder público para que avancem e beneficiem toda a população – afirma o presidente do Instituto Mais Itajaí, Fábio Inthurn.

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Outras cidades de SC também adotaram formatos semelhantes. Em Porto Belo, a associação formada por construtoras e incorporadoras investiu mais de R$ 1 milhão em projetos e licenciamentos, com entregas que incluem os molhes dos rios Perequê e Perequezinho e a urbanização de vias. Em Bombinhas, cerca de R$ 320 mil aplicados por empresários em projetos ajudaram a estruturar a captação de aproximadamente R$ 20 milhões para pontes e acessos. Já o Instituto + Gaspar investe cerca de R$ 300 mil na elaboração de um masterplan Gaspar 2035, que deverá orientar projetos urbanos e estratégias de atração de negócios.

– Essas iniciativas mostram que a sociedade civil organizada pode complementar a atuação do poder público e contribuir para o desenvolvimento urbano em áreas como mobilidade, habitação, preservação ambiental e qualificação dos espaços públicos. O modelo adotado em Balneário Camboriú passou a servir de referência para cidades como Porto Belo, Bombinhas, Itajaí, Gaspar e outras, criando uma rede de cooperação capaz de transformar demandas locais em projetos estruturados e ampliar a capacidade de investimento dos municípios – ressalta o arquiteto e urbanista Sérgio Gollnick, que participou da criação e estruturação de parte dessas iniciativas.

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