A operação Gaiola Digita, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) no dia 9 de julho, mirou uma estruturada organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro em dezenas de municípios catarinenses. A ação investiga crimes contra a administração pública, corrupção e fraudes que, segundo os investigadores, geraram prejuízos aos cofres públicos e enriquecimento ilícito de servidores e empresários. A coluna teve acesso aos documentos que geraram as investigações e traz abaixo detalhes.

Continua depois da publicidade

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão, enquanto outros 26 pedidos foram indeferidos. A investigação abrange pelo menos 13 cidades do Estado, incluindo a capital Florianópolis, além de Mafra, Balneário Camboriú, Caçador, Blumenau, Timbó Grande, Calmon, Arroio Trinta, Catanduvas, Irani, Joinville e Chapecó.

O desembargado Luiz Antônio Zanini Fornerolli, que autorizou a operação, negou as prisões e também a apreensão de bens dos investigados. O Gaeco apura a suposta ligação de 41 pessoas em diversas cidades catarinenses com o esquema.

Continua depois da publicidade

Veja fotos da operação

O epicentro do esquema e os alvos

De acordo com as investigações do Ministério Público, a empresa Pública Tecnologia Ltda. é apontada como o “epicentro empresarial” do esquema. Sede de mandados de busca e apreensão, conforme o Gaeco, a companhia capitaneava fraudes que contavam com o ajuste prévio de resultados para frustrar a competitividade dos certames públicos.

No núcleo político, o MP-SC aponta o prefeito de Irani, Vanderlei Canci (PP), como uma das autoridades centrais na adesão e manutenção do esquema envolvendo a empresa de tecnologia na cidade do Oeste de SC. Canci também foi alvo de busca e apreensão.

Continua depois da publicidade

Embora os pedidos de prisão preventiva tenham sido indeferidos pela Justiça, cinco empresários considerados peças-chave no esquema foram submetidos a medidas cautelares e passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.

São eles:

  • Alcione Melo Ramos
  • Alexandre Hwizdaleck
  • Giovani de Bortoli
  • Robson Rogério de Borba
  • Josias Chaves Cabral

Como funcionava o esquema

Documentos que basearam a operação detalham uma “corrupção sistemática” com forte influência política e econômica nas comunidades locais. O grupo operaria por meio de um organograma definido, que envolveria a atuação coordenada de sócios, funcionários, intermediadores e agentes públicos e políticos vinculados a dezenas de prefeituras ou Câmaras de Vereadores.

Continua depois da publicidade

A denúncia aponta que a organização criminosa atuava de maneira reiterada em solo catarinense desde 2017, mantendo-se ativa até 2025 e possuindo, inclusive, contratos vigentes para este ano de 2026. A dinâmica criminosa consistia no uso indevido do aparato público, pagamento e recebimento de propina a agentes políticos e fraudes licitatórias.

Restriçõesaos investigados

Diante da gravidade dos fatos, o Poder Judiciário impôs restrições aos cinco empresários monitorados eletronicamente. Eles estão proibidos de circular além de um raio de 300 metros de suas respectivas residências e não podem deixar as comarcas onde moram.

Continua depois da publicidade

Além disso, a Justiça determinou a proibição total de acesso das prefeituras municipais e das dependências da Pública Tecnologia Ltda. Os investigados também não podem manter contato entre si, estão proibidos de dialogar ou intervir em qualquer assunto ligado a licitações e contratos com a Administração Pública e não podem produzir, manipular ou compartilhar quaisquer documentos licitatórios.

O que dizem os empresários

Em nota, a Pública se manifestou. A defesa da empresa afirma que o posicionamento também vale para o empresários:

Continua depois da publicidade

COMUNICADO OFICIAL
A Pública Tecnologia confirma ter sido objeto de medida judicial de busca e apreensão realizada na sede da empresa na quinta-feira, dia 9 de julho, e seus advogados estão promovendo a análise dos processos que originaram tal medida. A empresa informa que cumpre integralmente as determinações das autoridades competentes, em conformidade com as disposições legais e judiciais aplicáveis.
As atividades operacionais da empresa permanecem em funcionamento, com regular e contínua disponibilização dos sistemas de gestão pública utilizados pelos seus clientes, sem risco de interoperabilidade. A Pública reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o zelo no cumprimento dos contratos administrativos.

O prefeito de Irani, Vanderlei Canci, negou qualquer irregularidade relacionada à Operação Gaiola Digital. Segundo ele, o único contato que teve com um representante da empresa investigada foi por telefone, para tratar de uma questão técnica envolvendo o envio de informações ao Tribunal de Contas do Estado.
Canci afirmou que a contratação do sistema ocorreu por meio de licitação regular, realizada após o vencimento do contrato anterior, seguindo todas as exigências legais e sem apontamentos do Tribunal de Contas. O prefeito também disse que nunca recebeu representantes da empresa em seu gabinete, não participou de reuniões com integrantes da companhia e jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida.

Continua depois da publicidade