Impossibilitado por questões médicas de participar do último debate deste segundo turno, na noite desta quinta-feira, na NSC TV, o candidato ao governo do Estado, comandante Moisés (PSL), tentou barrar na Justiça a entrevista de 20 minutos com o seu adversário, Gelson Merisio (PSD). Pelas regras do programa, assinado em comum acordo entre os representantes das duas campanhas durante reunião prévia, caso um dos dois não pudesse ir ao debate, o outro candidato seria entrevistado pelo tempo estabelecido. A alegação dos advogados do comandante foi de que a situação causaria "uma desigualdade sem tamanho entre os dois postulantes ao cargo de governador". Eles também apresentaram a justificativa das complicações de saúde para a ausência de Moisés.

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O pedido da equipe à Justiça foi apresentado às 20h05min, cerca de duas horas antes do início do programa. No entanto, às 21h04min, o juiz Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva negou a liminar e a entrevista foi mantida. No entendimento do magistrado, a decisão pela realização ou não do programa era única e exclusiva da NSC TV. Ele lembrou da resolução 23.551/2017 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando se trata de "Debates". Pelo texto, é admitida a realização do programa sem a presença de candidato de algum partido ou coligação desde que ele tenha sido convidado com a antecedência mínima de 72 horas, o que foi feito neste caso. Com a decisão, Merisio respondeu às perguntas feitas por Mario Motta durante 20 minutos.

A ausência de Moisés no debate teve um roteiro que começou ainda na tarde de quinta-feira. Em uma nota divulgada à imprensa, a assessoria dele informou que o candidato estava com uma infecção aguda na garganta. Segundo um dos membros da equipe, o coronel aposentado não conseguia sequer falar. O texto, no entanto, disse que ele passaria por uma nova avaliação médica, às 19h.

Perto das 20h, dois representantes da campanha do candidato foram até a sede da NSC Comunicação, em Florianópolis, para informar que ele não participaria do debate por orientação médica. Em mãos, levaram uma nota oficial e depois distribuíram imagens do atestado assinado pelo médico pneumologista Emilio Pizzichini. A recomendação foi de três dias de repouso, inicialmente. Com isso, os outros compromissos marcados na agenda do candidato até o próximo domingo estão suspensos.

Líder da pesquisa Ibope divulgada na última semana, Moisés terá que alterar sua estratégia na reta final de campanha. Ficará ausente da campanha em um momento em que o adversário poderá explorar e tentar a virada. O coronel aposentado conta com o apoio político de pessoas ligadas ao MDB. Apesar de ter liberado seus filiados neste segundo turno, o partido tem a maioria dos correligionários ao lado do candidato do PSL. Além disso, alguns nomes do próprio PSD de Merisio abriram o voto para Moisés recentemente. Fora das ruas nos últimos dias, ele terá a sua imagem testada em um momento importante da campanha.

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