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    Investigação

    Julio Garcia é apontado pelo MPF como chefe de grupo criminoso investigado na Alcatraz

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    Ânderson
    Por Ânderson Silva
    06/10/2020 - 10h47 - Atualizada em: 06/10/2020 - 14h53
    Deputado Julio Garcia, presidente da Alesc, investigado na operação Alcatraz
    Deputado Julio Garcia, presidente da Alesc, investigado na operação Alcatraz (Foto: Rodolfo Espínola / Agência AL)

    O presidente da Alesc, Julio Garcia, é apontado como chefe da organização criminosa investigada na operação Alcatraz. Na mais recente denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) afirma que o parlamentar tinha a chefia e "ocupava indubitavelmente o topo" do grupo. A acusação feita pelo MPF na semana passada coloca o deputado como figura principal e descreve a participação dos demais investigados. Os procuradores descrevem a organização como "endógena" por atuar dentro das próprias insituições públicas que vitimava.

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    Pela denúncia, a organização era formada por funcionários públicos que praticavam delitos contra a administração pública. Para os procuradores, o presidente da Alesc, que à época era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), "exercia sem pudor a 'prerrogativa' de alcançar nomeações de apadrinhados nos órgãos em que demonstrava interesse". Trecho da denúncia afirma que está evidenciada a ingerência do deputado na nomeação de servidores no governo do Estado.

    Trecho da denúncia sobre o presidente da Alesc, Julio Garcia
    Trecho da denúncia sobre o presidente da Alesc, Julio Garcia
    (Foto: )

    Para isso, o MPF cita um documento apreendido no escritório de advocacia de Nelson Castello Branco Nappi Junior, apontado como um dos operadores de Julio Garcia no esquema. A planilha traz nomes de indicados para diferentes funções na secretaria de Administração do Estado e ao lado os "padrinhos" das vagas.

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    Após a descrição da trajetória política do presidente da Alesc e de sua interferência, os procuradores reforçam: "Há robustos elementos colhidos no âmbito da Operação Alcatraz que demonstram a existência de uma organização criminosa, estruturalmente ordenada, de caráter duradouro, caracterizada pela divisão de tarefas, com objetivo de obter vantagens financeiras. Nesta organização, Júlio César Garcia sempre ocupou posição proeminente de comando do esquema criminoso".

    Descrição da organização

    A denúncia descreve com detalhes a suposta composição do grupo que atuaria dentro do governo do Estado. Os procuradores citam nomes como o de Nelson Nappi e outros quatro servidores públicos "responsáveis por viabilizar as fraudes nas licitações levadas a cabo pelo Poder Público". Depois, num segundo plano, estariam empresários investigados como Maurício Rosa Barbosa, dono de empresas de tecnologia. Ele e Nappi continuam detidos em prisão domiciliar.

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    Além dos núcleos político e do composto por empresários, havia dois operadores, conforme o MPF. Além de Nappi, Jefferson Colombo, dono de uma empresa de tecnologia, seria o outro braço de Julio Garcia dentro do esquema.

    Relações com Jefferson Colombo e Nelson Nappi

    Dentro da descrição do MPF na denúncia contra Julio Garcia, a relação dele com Jefferson Colombo e Nelson Nappi teria diferentes funções, apesar de ambos terem relacionamento praticamente familiar com o atual presidente da Alesc. No caso de Colombo, os procuradores afirmam que ele era o responsável por pagar pelos gastos do deputado com dinheiro desviado de licitações. Já Nappi, ao ocupar o cargo de secretário-adjunto de Administração, ajudaria a facilitar as fraudes de licitações.

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    Outro papel de Nappi seria o de manter um escritório de advocacia com Michelle Guerra para a lavagem de dinheiro. Em delação premiada, ela contou que o estabelecimento não prestava serviços advocatícios, mas servia para emitir notas a empresas investigadas sem que o trabalho fosse efetivamente prestado.

    Desta relação entre Julio Garcia e a dupla de operadores, a investigação conclui que a organização "apresentou, notadamente, as características de busca incessante de lucros e poder econômico, grande poder de corrupção dos agentes públicos, numerosas práticas de lavagem de dinheiro e grande danosidade à sociedade, em decorrência da menor eficiência do gasto público, bem como devido aos desvios de vultosos recursos públicos, inclusive em setores marcados por escassez de fundos e elevadas carências sociais".

    Contrapontos

    A defesa de Nelson Nappi diz que ele tem relação profissional e pessoal com Julio Garcia e que considera inverídica a afirmação de favorecimento e uso indevido do cargo: "Conforme a gente vem demonstrando, o escritório de advocacia tinha clientes com serviços de consultoria e advocacia", afirmou o advogado Leonardo Pereima. Francisco Ferreira, advogado de Jefferson Colombo, afirma que vai se manifestar nos autos.

    A defesa de Julio Garcia diz que a acusação do MPF de que o deputado ocuparia a chefia da organização de "beira a insanidade, ausente qualquer indício honesto que justifique essa afirmação." Ele voltou a fala sobre "queimar reputações públicas", como havia feito na semana passada, e chamou os apontamentos dos procuradores de "ilações ou suposições". Sobre a relação com Nelson Nappi, Cesar Abreu disse que Julio Garcia é amigo pessoal e foi padrinho casamento dele. No caso de Jefferson, a relação é familia: "Essas relações de amizade ou familiar, por evidente, não transformam ninguém em criminoso, muito menos são dignas de sugerir suspeitas".

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