O início de 2026 expõe um problema importante em Florianópolis: a falha na prestação de serviços básicos justamente no período em que a cidade mais cresce em população. Em diferentes bairros da Capital catarinense, moradores relatam a falta de recolhimento de lixo, com sacos acumulados em calçadas, esquinas e áreas de grande circulação. As reclamações se espalham por regiões centrais e bairros turísticos, ampliando o desgaste da imagem da cidade em plena temporada de verão.
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Diante das queixas, a prefeitura de Florianópolis informou, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que a coleta de resíduos está sendo realizada regularmente, com reforço especial durante a temporada, incluindo ampliação de horários, equipes e frota de caminhões. A administração municipal também destacou que, “nestes primeiros dias do ano, é comum que haja aumento na demanda na geração de resíduos”.
É justamente nesse ponto que o discurso oficial revela uma fragilidade. O aumento da geração de lixo no verão não é uma surpresa, tampouco um fenômeno imprevisível. Florianópolis recebe, todos os anos, milhões de turistas entre dezembro e fevereiro. Trata-se de um dado histórico, conhecido e amplamente divulgado. Ao afirmar que o aumento da demanda é “comum”, a prefeitura acaba admitindo, ainda que de forma indireta, que o planejamento não foi suficiente para absorver essa pressão adicional sobre os serviços públicos.
O problema vai além do lixo. Na semana passada, o coordenador da Defesa Civil de Florianópolis, Pedro Neves, afirmou em entrevista ao Jornal do Almoço, da NSC TV, que a maior parte das obras de reparo após as chuvas seria executada por empresas terceirizadas, e que essas empresas estavam em recesso. Segundo ele, os trabalhos só começaram efetivamente nesta segunda-feira (5).
O recado é claro: falta organização estrutural para o verão. Não é razoável que serviços essenciais, como limpeza urbana, resposta a emergências climáticas e manutenção da cidade, sofram impacto por recesso ou ausência de planejamento justamente no período mais crítico do ano. Florianópolis vive do turismo. O verão é o “filé” da economia local, o momento em que a cidade mais arrecada e mais se expõe nacionalmente.
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Cidade turística não pode parar. Não pode ter recesso operacional, nem margem para falhas em serviços básicos. O turista até tolera trânsito e filas. Mas lixo acumulado, obras paradas e respostas lentas do poder público corroem a imagem da cidade e penalizam, sobretudo, quem mora nela o ano inteiro.
Planejar o verão não é reagir ao problema quando ele aparece. É antecipar demandas, reforçar contratos, garantir equipes ativas e evitar que o discurso oficial sirva mais como justificativa do que como solução.

