O caso Orelha ganhou uma segunda chance. Com as diligências adicionais solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) para que a Polícia Civil apresente mais provas nas duas investigações que envolvem os cães da Praia Brava, em Florianópolis, abre-se uma oportunidade para que as apurações sejam reorganizadas. Nitidamente, desde que os fatos vieram à tona, o caso transformou-se em um grande espetáculo, no qual quem perde é a sociedade, que espera por Justiça.
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O momento pede recuo. Com o MP-SC apontando diversos questionamentos, que se traduzem em provas faltantes, é hora de a Polícia Civil centralizar a investigação. Até mesmo — por que não? — unir-se às promotorias responsáveis, em um esforço conjunto nas apurações. Há muitas respostas a serem dadas, justamente o que foi destacado pelo Ministério Público.
Para este novo momento das investigações, espera-se a mesma cautela e serenidade sempre necessárias em qualquer apuração, mas sobretudo nos casos de grande repercussão. Que se afastem quaisquer holofotes desnecessários ou tentativas de espetacularização. A segunda chance dada à Polícia Civil de Santa Catarina, na prática, representa uma nova oportunidade para que se elucide, enfim, o que ocorreu com o cão Orelha, além dos fatos do entorno, também alvos de investigação.
A corporação, aliás, é conhecida por atuações exemplares em casos de repercussão. As novas diligências exigidas pelo MP, porém, mostram que no Caso Orelha há mais a ser explorado.
Diante da repercussão do caso, é totalmente plausível a alta visibilidade e a cobrança da sociedade. Contudo, da forma como tudo se deu desde o começo de janeiro, esta nova fase do caso Orelha requer pé no freio. Espera-se, enfim, menos holofotes e mais silêncio, técnica e resultado efetivo. Não a conclusão pela conclusão, mas sim a conclusão voltada à real prática da Justiça.
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Seja para que se apontem adolescentes e/ou quaisquer outras figuras e hipóteses envolvidas nas agressões aos cães, mesmo que a sociedade já tenha feito suas “condenações sociais”, esta segunda chance das investigações exige mais silêncio e efetividade. Ainda que, ao final, seja necessário apresentar à população novos rumos. Ainda que sejam diferentes do que se apurou até então, o essencial é que haja a comprovação dos fatos ocorridos com Orelha.
Portanto, seja para manter as teses inicialmente concluídas no inquérito ou para que se desenhem novos rumos, esta é a oportunidade para que o Caso Orelha siga por trilhos estritamente técnicos e, muitas vezes, silenciosos até a conclusão. É a única base possível para que a Justiça seja, de fato, alcançada.

