O boletim de ocorrência feito pela jovem de 18 anos que acusa o ministro catarinense do STJ, Marco Buzzi, de importunação sexual, traz detalhes do relato feito por ela sobre o que teria ocorrido no dia 9 de janeiro, na praia de Estaleiro, em Balneário Camboriú. O caso, de acordo com ela, foi durante uma viagem ao litoral de Santa Catarina com os pais, a convite de Buzzi. A TV Globo teve acesso ao relato feito no boletim de ocorrência e a coluna traz os detalhes. Nesta quinta-feira (5), a moça será ouvida no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que apura o caso.
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De acordo com o depoimento, a jovem é filha de uma advogada que atua nos tribunais superiores, o que fez com que, ao longo dos anos, a relação profissional da família com o ministro evoluísse para uma convivência próxima. A jovem afirma que frequentava o STJ desde a infância, acompanhando a mãe, e que via o magistrado como uma figura de confiança, a quem recorria para conselhos pessoais e acadêmicos, especialmente no período em que decidiu ingressar no curso de Direito.
Segundo o relato, a viagem ao litoral catarinense ocorreu a convite do ministro e de sua esposa, com a participação inicial da jovem e de sua mãe. A família teria se hospedado na residência do casal. Nos primeiros dias, a convivência foi descrita como tranquila. O episódio central do relato teria ocorrido na manhã do dia 9 de janeiro.
A jovem afirma que foi à praia acompanhada do ministro, enquanto seus pais permaneciam na residência. Já no local, ela relata que, após aceitar um convite para entrar no mar, os dois se deslocaram para um trecho mais afastado da praia, fora do campo de visão do grupo com quem estavam hospedados. O ministro teria alegado que naquele ponto o mar estaria mais tranquilo, o que causou estranheza à ela, considerando que, no local em que estavam, o mar não estava revolto. No entanto, a jovem aceitou o convite, então, ambos se dirigiram à esquerda do condomínio e entraram no mar.
O relato diz que a moça teve a ajuda do ministro para entrar na água por se tratar de uma praia de “tombo”. Ainda assim, ele teria sugerido que fossem até mais fundo e conduziu a jovem, segurando em sua mão. Lá, conforme o depoimento, começaram a conversar sobre assuntos diversos. Em determinado momento, Buzzi teria alegado que sentia frio, quando apontou para duas pessoas que também estavam dentro do mar, um pouco distantes, e teria afirmado: “deve ser por isso que eles estão abraçados”. Neste momento, conforme a jovem, o ministro teria a puxado pelo braço e a agarrado junto ao próprio corpo.
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Quando tentou se desvencilhar, ela foi puxada de volta, conforme o relato. Em seguida, a jovem se afastou e o ministro tentado mais algumas vezes puxá-la, mas sem sucesso. Buzzi, então, teria dito à jovem: “você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Eu só vejo a sua relação com a sua mãe, mas você é muito sincera, deveria ser menos. Isso pode te prejudicar”. Ao saírem do mar, caminharam de volta ao local do guarda-sol em que estavam anteriormente.
A jovem relata que deixou o local rapidamente, visivelmente abalada, e contou o ocorrido ao pai assim que chegou à residência. Pouco depois, a mãe foi informada, e a família decidiu interromper a viagem, retornando a São Paulo. Segundo o relato, desde então a jovem apresenta dificuldades para dormir, episódios de ansiedade e pesadelos recorrentes relacionados ao ocorrido. Ela afirma estar em acompanhamento psicológico.
O STJ não emitiu um posicionamento institucional. Já o gabinete do ministro Marco Buzzi emitiu uma nota: “O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
A defesa da família da jovem também se manifestou. O advogado Daniel Leon Bialski escreveu: “Como advogado da vítima e de sua família, informamos que neste momento o mais importante é preservá-los, diante do gravíssimo ato praticado. Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes”.
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