Antes de tudo, vou deixar claro logo no começo do texto: esta postagem não vai analisar se terceirizações e privatizações são melhores ou piores do que empresas públicas. Aqui vou tratar sobre as reclamações constantes das últimas semanas em Florianópolis sobre a coleta de lixo e a relação disto com a forma com que a prefeitura decidiu alterar o formato do serviço nos últimos anos. Mesmo tendo sob as mãos um “time que estava ganhando”, o município decidiu “mexer” nos trabalhos antes executados em toda cidade pela Comcap, no começo de 2021, e apostar na terceirização.

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O processo se deu de forma acelerada. Foi em janeiro daquele ano, quando o então prefeito da Capital, Gean Loureiro, enviou um pacote de projetos para a Câmara de Vereadores. Entre eles havia uma proposta que fazia alterações na Comcap e permitiu que a empresa não tivesse a exclusividade para a prestação de serviço de coleta de lixo em Florianópolis. Por conta disto, houve greve dos servidores da companhia naqueles dias, o que já abriu a porta para a entrada da primeira empresa terceirizada.

Desde então, a coleta de lixo tornou-se “pauta” comum, tanto para a população como para a imprensa. A terceirizada assumiu, inicialmente, o Continente. Depois, foi também para o Norte da Ilha. Mais recentemente, passou a fazer também os trabalhos no Centro. De 2021 para cá, porém, já são três empresas diferentes contratadas para operar nestes locais. A prefeitura confirmou, na semana passada, que a terceira prestadora de serviço foi contratada. É a Racli, de Criciúma.

Por conta do desligamento da segunda empresa, a Comcap foi chamada a atuar nos pontos onde a terceirização havia sido implantada. Entretanto, por conta da diminuição da estrutura da companhia nos últimos anos e pelo tamanho do problema deixado, o lixo continua espalhado em diferentes regiões da Capital catarinense.

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Na prática, o que se revela é que a decisão tomada em 2021 foi precipitada e sem planejamento. Como frise no começo do texto, não estou aqui para analisar se a terceirização é o melhor caminho. Entretanto, vamos supor que sim, que a alternativa foi a escolhida pela cidade para ser adotada dali para frente depois de várias discussões e debates condizentes com o tamanho do serviço. Diante deste cenário, o formato de implantação deveria ter sido melhor executado.

Problemas burocráticos e até jurídicos envolvendo as empresas escolhidas impediram que o serviço continuasse funcionando bem, como ocorria com a Comcap. A prefeitura alega que o valor pago para as terceirizadas é menor do que o usado para a empresa pública. Um argumento plausível, indiscutivelmente. Porém, a população sente falta de quando o serviço realmente funcionava sem a insegurança de que, eventualmente, o lixo pode ficar acumulado na frente de casa.

O correto seria a prefeitura voltar à estaca zero e rediscutir o serviço com a população para, decidindo-se manter o formato de terceirização, o trabalho seguir plenamente e sem paralisações. A Capital catarinense é acostumada com um serviço de qualidade na coleta de lixo, e assim deve continuar sendo.

Veja fotos da situação da coleta de lixo em Florianópolis:

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