O resultado da votação no Senado que derrubou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma derrota de proporções imprevisíveis, mas certamente negativas, para o governo Lula. A pouco mais de cinco meses da eleição de outubro, o presidente da República sai politicamente vulnerável pela primeira rejeição do Senado a uma indicação à Corte em 134 anos.
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Indiretamente, o maior beneficiado é Flávio Bolsonaro (PL), principal opositor de Lula no cenário atual. Romeu Zema (NOVO), que tem capitaneado o discurso de enfrentamento ao STF, também deve colher repercussões positivas do resultado. A oposição, em síntese, está em êxtase. E não é para menos.
Com o curto prazo até o pleito, uma exposição política dessa magnitude gera para Lula a maior preocupação de seu mandato, justamente às vésperas da disputa pela reeleição. A derrota desta quarta-feira (29), aliás, é fruto de um governo que optou por enfrentar o Senado mesmo diante de uma indisposição visível entre os parlamentares. O recado, portanto, é essencialmente político e antecipa, na prática, a temperatura da eleição.
Mais do que uma barreira a um nome específico, o que se viu no Senado foi a quebra de uma mística de governabilidade. Ao ignorar os sinais de fraqueza na sua base aliada neste assunto e subestimar a força da oposição em um tema tão sensível quanto o Judiciário, Lula permitiu que o Congresso passasse de colaborador a juiz do destino do Planalto. Agora, o governo não luta apenas contra o relógio eleitoral, mas contra a percepção de fragilidade. Se não houver uma rearticulação imediata, o episódio Messias não será lembrado apenas como uma derrota histórica, mas como o momento em que o governo perdeu o controle da narrativa para 2026.
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