O novo presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), desembargador Rubens Schulz, afirmou nesta sexta-feira (6), durante entrevista coletiva antes da cerimônia de posse, que a gestão para o biênio 2026–2028 terá como eixo central o equilíbrio entre tecnologia, eficiência e valorização das pessoas. Segundo ele, o avanço tecnológico no Judiciário será tratado como prioridade, mas sem afastar o aspecto humano da atuação.

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Schulz explicou que a administração estará estruturada em cinco grandes áreas: judicial, extrajudicial, administrativa, institucional e tecnológica. Essas frentes, segundo o presidente, serão orientadas por três pilares: pessoas, processos e tecnologia.

– A justiça é feita por pessoas e para pessoas – destacou, ao afirmar que a modernização do Judiciário não pode resultar em uma atuação mecanizada ou distante do cidadão.

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Um dos principais focos da nova gestão será a ampliação do uso da inteligência artificial, especialmente em tarefas administrativas e no processamento de dados. O presidente ressaltou, no entanto, que não há qualquer perspectiva de substituição da atuação do magistrado por sistemas automatizados.

– Não se trata da prolação de decisões por inteligência artificial – afirmou.

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O objetivo, segundo ele, é dar mais agilidade a tarefas repetitivas, à gestão de informações e ao acompanhamento da produtividade das unidades judiciais. Schulz destacou que o Judiciário brasileiro possui uma vantagem comparativa em relação a outros países por já operar de forma integralmente digital. No caso de Santa Catarina, o TJ mantém um banco de dados com cerca de 140 milhões de registros, utilizado, por exemplo, para auxiliar na localização de bens e endereços em processos de execução, que hoje representam aproximadamente 60% do acervo judicial, tanto no Estado quanto no país.

O presidente também citou o uso de tecnologia no enfrentamento de questões sociais, como os casos de violência doméstica. Segundo ele, a integração e análise de dados permitem respostas mais rápidas e eficientes por parte do Judiciário, inclusive na articulação com outros órgãos.

Apesar da ênfase na modernização, Schulz reforçou que a saúde mental de magistrados e servidores será uma diretriz da gestão. Ele afirmou que não existe produtividade que justifique o adoecimento de quem trabalha no sistema de Justiça.

O desembargador também apontou que a Justiça precisará se adaptar às mudanças no comportamento da sociedade, especialmente das novas gerações, que têm menor tolerância à espera por respostas e serviços. Para ele, o Judiciário de hoje já é diferente do que será em dois anos, diante da velocidade das transformações tecnológicas.

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Na área estrutural, Schulz anunciou que o biênio contará com um cronograma de instalação de novas varas judiciais em diferentes regiões do Estado, que serão definidas como prioridade pela administração. Outro ponto destacado foi a formação completa do quadro de juízes substitutos no primeiro grau, o que deve reduzir dificuldades relacionadas à substituição de magistrados em períodos de férias ou afastamentos.

Segundo o presidente, experiências anteriores com varas regionais e maior uso de tecnologia demonstraram ganhos significativos de produtividade, redução de custos e diminuição da necessidade de pessoal, sem prejuízo da prestação jurisdicional.