Santa Catarina começou o ano com sinal de alerta no setor de transportes. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE e analisados pela Facisc, mostram que no primeiro bimestre os serviços de transportes, atividades auxiliares e correios recuaram 4,2% no estado. O resultado foi o segundo pior do país, empatado com Minas Gerais, e o mais baixo para o período nos últimos nove anos.

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Segundo Juliano Agnolo, diretor presidente da empresa Expresso São Miguel, o transporte rodoviário de cargas está inserido em todo o contexto nacional, fortemente influenciado por fatores macroeconômicos e pela dinâmica geral da economia. Elementos como o ritmo da atividade econômica, o comportamento de segmentos industriais, o nível das taxas de juros e a estrutura de custos operacionais, fazem parte do ambiente em que o setor atua.

A queda da atividade industrial catarinense também influencia diretamente o transporte. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria do estado recuou 6,2%. Setores estratégicos, como máquinas, equipamentos elétricos e automotivo, tiveram retração, reduzindo a demanda por logística e movimentação de mercadorias.

Para as empresas de logística, o cenário segue desafiador. Juliano explica que o custo do diesel, despesas com manutenção, dificuldade de mão de obra e o custo de capital, pressionam os balanços das empresas.

– Esses fatores compõem o cenário de referência do setor e reforçam a importância de uma gestão eficiente, atenta e alinhada às condições do mercado.

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Outro problema enfrentado pelo setor é a falta de motoristas. Empresas relatam dificuldade crescente para contratar profissionais, o que gera veículos parados e limita a capacidade de operação.

O diretor secretário da Facisc, Henrique Basso, da empresa Transpower Transporte Rodoviário da cidade de Caçador, afirma que o momento exige atenção e planejamento.

– O transportador convive com aumento constante de custos, falta de motoristas e estradas que já não suportam a demanda. Investir em infraestrutura e criar condições para renovação da frota são medidas urgentes para manter a eficiência logística e preservar empregos no setor.

Infraestrutura impacta diretamente

No programa Voz Única, da FACISC, que reúne prioridades regionais para apresentar ao poder público, 60% dos pleitos tratam de infraestrutura, o que inclui obras e melhorias em rodovias.

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O presidente da FACISC, Elson Otto, defende maior retorno dos recursos arrecadados pelo Estado.

– Santa Catarina precisa reivindicar mais recursos. Somos o quinto estado que mais arrecada impostos federais e um dos que menos recebe de volta. Esse desequilíbrio compromete investimentos essenciais, especialmente em infraestrutura, que impacta diretamente a competitividade das empresas – afirmou.