publicidade

Navegue por
Caixa

Educação

O perfil de quem é aprovado no vestibular da UFSC

Compartilhe

Por Caixa de Dados
14/12/2018 - 12h16 - Atualizada em: 15/12/2018 - 11h28
(Arte: Maiara Santos)

Texto: Cristian Edel Weiss | Arte e visualização de dados: Maiara Santos

A semana foi marcada pela maratona de provas do Vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 2019. Agora, a expectativa é pelo listão, que deve sair até a segunda quinzena de janeiro. No total se inscreveram 28.051 candidatos, que disputaram 4.555 vagas em 101 cursos. Neste ano, a média foi de 6,16 candidatos por vaga, a menor desde 2015, quando a universidade registrou procura de 4,96 concorrentes por cadeira disponível. Também é o mais baixo número de inscritos pelo menos dos últimos 10 anos.

As mulheres se inscrevem mais, mas homens são mais aprovados; houve crescimento de estudantes de outros Estados; soma de egressos das escolas públicas tem aumentando, mas eles ainda são minoria. Confira os detalhes nos gráficos ao longo do post.

Desde o vestibular de 2016, entretanto, o sistema de seleção da UFSC foi modificado, destinando 30% das vagas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio, além de promover melhorias no sistema de ações afirmativas, as chamadas cotas étnicas e sociais.

Essas ações contribuíram com a mudança de alguns aspectos do perfil do estudante classificado no vestibular hoje em dia em relação aos candidatos de uma década atrás.

Para interpretar melhor alguns dados, é importante entender algumas nomenclaturas técnicas usadas pela UFSC. A principal delas é a distinção entre inscritos, aprovados e classificados. Inscritos são os que fizeram a inscrição e estão aptos a prestar as provas (mas muitos faltam a algum dos três dias de provas e podem ser desclassificados).

Aprovados são os que atingiram as notas mínimas nas provas e na redação, mas não necessariamente conseguiram uma vaga. Essa, sim, é a condição dos classificados, que tiraram nota suficiente para obter uma vaga no curso ou se enquadram nas políticas de cotas. As siglas BEL e LIC dizem respeito, respectivamente, a Bacharelado e a Licenciatura. Outro ponto importante para evitar confusão é a nomenclatura oficial do vestibular, que sempre indica o ano posterior. O Vestibular 2018, por exemplo, é o que foi realizado em dezembro de 2017, visando o ingresso no ano letivo de 2018. Já o realizado nesta semana foi o Vestibular 2019.

Evolução de inscritos, classificados e vagas

Se considerar apenas o tamanho da concorrência por uma vaga, já foi mais difícil ser aprovado no vestibular. Entre as edições de 2001 e 2005, a média geral era de 10 candidatos por uma cadeira no curso desejado. A taxa caiu gradativamente até atingir na edição 2012 o menor patamar desde 1985: 4,87.

A recuperação desse índice só foi possível a partir do vestibular 2016, quando a universidade passou a destinar 30% do total de vagas para o Sisu, que usa a nota obtida no Enem como referência (diga-se, uma das últimas federais do país a adotar essa medida). O efeito foi a redução de cadeiras via vestibular e o consequente aumento da relação candidato/vaga nessa modalidade.

Todo mundo tenta, mas...

No vestibular para 2018, a UFSC registrou também o menor número de candidatos aprovados (que tiraram nota mínima na prova, mas não necessariamente conseguiram se classificar para uma das vagas). Foram 6.786 nessa condição, a menor soma desde pelo menos 2010. Um ponto de atenção em relação ao preparo dos candidatos diante do nível exigido pela seleção.

De onde vêm os estudantes classificados

Para o vestibular realizado no ano passado, dos 3.789 classificados, 2.748 (72,53%) eram de SC. Gaúchos estiveram no segundo lugar, com 311 vagas (8,21%), seguido de paulistas (283 - 7,47%) e paranaenses, (265 - 6,99%). Na comparação com a edição de 2008, são mais gaúchos e paranaenses aprovados e menos catarinenses e paulistas.

Origens dos alunos de cada curso

Apesar de a universidade atender prioritariamente à comunidade catarinense, há cursos em que estudantes vindos de outros Estados são maioria. No vestibular de 2018 esse foi o caso de Engenharia Aeroespacial de Joinville, Engenharia Mecatrônica de Joinville e Letra Libras de Florianópolis.

No caso da Engenharia Aeroespacial, dos 35 classificados, 15 eram do Paraná, três de São Paulo, dois do Rio Grande do Sul e três de outros Estados. Os catarinenses eram 12, ou seja, apenas um terço. Mesmo índice da Engenharia Mecatrônica, com a diferença de haver 16 paranaenses, cinco gaúchos e dois estudantes de outros estados.

Já Letras Libras tinha apenas cinco vagas, sendo duas ocupadas por catarinenses. E o curso mais disputado, Medicina, tinha 50 catarinenses entre as 70 vagas disponíveis. Veja a seguir a proporção dos alunos desses Estados de origem e de outros em cada curso a seguir:

Medicina no topo, mas Psicologia e Cinema também fazem a cabeça da galera

A proporção mudou. Está mais difícil. Mas o curso de Medicina continua o mais disputado da UFSC. Em 2008, era uma média de 40 candidatos por vaga. No vestibular do ano passado chegava a 113. Mas neste ano bateu o recorde: 204 concorrentes por cadeira disponível. Navegue no gráfico abaixo para ver a evolução e comparar os cursos.

Outro curso que cresceu em concorrência em 10 anos de vestibular foi o de Psicologia. Em 2008, tinha uma média de 9,76 candidatos por vaga. No ano passado, estava em 18,67. Neste ano, chegou a 36,84. Crescimento de quase quatro vezes.

Antes de sonhar com a academia do Oscar, é preciso superar a academia universitária. E logo atrás vêm a sétima arte. Em 2008, eram 9 disputando uma cadeira. No ano passado, já chegava à média de 15,29. No vestibular desta semana, a média foi de 32,1.

Por outro lado, em 10 anos, há cursos em que a procura caiu pela metade. Engenharia de Aquicultura, por exemplo, tinha média de 2,67 candidatos por vaga em 2008. Neste ano caiu para 1,11. Engenharia Sanitária Ambiental saiu de 8,48 para 4,29.

Mais mulheres tentam, porém mais homens são aprovados

Historicamente, o número de pessoas do gênero feminino inscritos no vestibular da UFSC é maior do que do masculino. No entanto, mais homens são aprovados.

Nos últimos 10 anos a proporção de mulheres classificadas para uma vaga tem ficado na média dos 46% diante de 54% dos homens. Os vestibulares de 2015 e 2018 tiveram a pior proporção, 41,33% e 41,99% de mulheres, respectivamente.

Onde elas são maioria e minoria

Em Pedagogia, elas representam 93% dos estudantes classificados em 2018. Cursos como Fonoaudiologia, Enfermagem, Letras e Serviço Social também apresentaram oito mulheres em cada 10 candidatos classificados.

Por outro lado, áreas mais ligadas às Engenharias e à Computação têm menos participação feminina. Ciências da Computação, por exemplo, é o curso com menor número de mulheres: duas diante de 68 homens. Mas há cursos rompendo padrões. É o caso de Engenharia Naval: 20 mulheres diante de 15 homens.

Aumenta o número de alunos de escola pública, mas têm menos chances em cursos mais disputados

Apesar de quase 90% dos alunos do ensino médio em Santa Catarina pertencerem à rede pública, no vestibular da UFSC essa proporção está longe de se refletir, ainda que o patamar tenha melhorado na última década.

Os egressos da rede pública nunca superaram os da rede privada no número de inscritos. Quando se fala em alunos classificados para uma das vagas no vestibular, apenas em 2016 e 2017 estudantes que fizeram o ensino médio todo em rede pública foram a maioria. Mas na edição de 2018 essa proporção voltou a se inverter.

Perfil dos cursos por escola de ensino médio

Em relação aos cursos, também há diferenças nessa proporção, embora tenha reduzido nos últimos cinco anos. Cursos de licenciatura, por exemplo, têm em geral mais egressos da rede pública. Já os ligados à área de tecnologia e engenharias, mais alunos da rede privada. O curso de licenciatura em Química de Blumenau, por exemplo, tem 77% de ex-alunos que cursaram o ensino médio apenas nas públicas. Na outra ponta, o curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos, de Florianópolis, tem a menor proporção: 10,53% de oriundos da rede pública.

Curso mais procurado, Medicina tem uma relação 52,86% de candidatos classificados que relataram ter tido estudado apenas na escola pública. Em 2008, por exemplo, eram apenas 34%.

Em 10 anos, cresce número de brancos e pardos

Entre as edições de 2008 e 2018, houve pouca alteração no perfil étnico dos estudantes que ingressam por meio do vestibular. Houve redução em três pontos percentuais de pessoas que se declararam negros e aumento de dois pontos percentuais em relação aos que se classificaram como pardos.

Renda familiar dos candidatos: chance entre os ricos ainda é maior

Na edição de 2018, a maioria dos candidatos inscritos declarou ter renda familiar entre 1 e 5 salários mínimos. Ao olhar o número total de classificados, a curva do gráfico acompanha a de inscritos.

No entanto, ao olhar a proporção de candidatos com a mesma renda que foram bem-sucedidos no processo seletivo, a constatação é um tanto elementar: os mais ricos têm mais chances. Apenas 9% dos que declaram ter renda de até um salário mínimo se classificaram para uma vaga. No outro extremo, aos que disseram ter renda familiar acima de 30 salários mínimos, a proporção de classificados foi de 17%.

Além disso, dos candidatos que se classificaram no vestibular 2018 tinham mãe ou pai com formação superior ou pós-graduação. O que indica que o grau de instrução familiar é importante para o amparo do estudante na preparação à corrida para uma vaga na universidade.

Baixe os dados

​​​↷ Clique aqui para conferir a base completa que deu origem aos gráficos.​​

Deixe seu comentário:

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Navegue por
© 2018 NSC Comunicação
Navegue por
© 2018 NSC Comunicação