nsc

publicidade

Carolina

Análise política

Por que a reforma será desidratada

Compartilhe

Por Carolina Bahia
06/04/2019 - 03h45
(Foto: Diogo Sallaberry / Agência RBS)

O Planalto continua com grandes chances de aprovar a reforma da Previdência, mas não será o texto ambicioso encaminhado pelo Ministério da Economia. A aposentadoria do trabalhador rural, as alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o regime de capitalização já estão na mira da tesoura dos deputados. E isso que a proposta ainda nem chegou na comissão especial, palco real das disputas e do lobby das corporações. Convicto da necessidade de uma reforma robusta, com impacto fiscal de R$ 1 trilhão, o ministro Paulo Guedes (Economia) terá que se conformar com um resultado bem mais acanhado se quiser colher alguma vitória nesse processo. A ameaça de que ele pode deixar o governo não sensibiliza os aliados do Planalto. O próprio presidente Jair Bolsonaro já admitiu a redução da idade mínima para mulheres de 62 para 60 anos. No café da manhã com jornalistas na última sexta-feira, afirmou que também o regime de capitalização poderá ser descartado.

– Se tiver reação grande, tira da proposta. Alguma coisa vai tirar, tenho consciência disso – disse o presidente, sem resistências.

Desidratar propostas de reformas da Previdência não é novidade para o Congresso. As mudanças encaminhadas pelo então presidente Lula, que atingiam os servidores públicos, ficaram mais suaves depois de um acordo no Senado. Guedes enviou o pacote com alguns bodes na sala, mas tudo indica que a cirurgia será ainda mais profunda. Deputados defendem mudanças nas regras de transição e para algumas categorias, como para professores. Diretora do Instituto Brasileiro Previdenciário, Jane Berwanger, já acompanhou várias negociações e faz questão de lembrar que qualquer reforma é melhor do que nenhuma.

É bom que Guedes comece a revisar seus cálculos.

Na Mira

Se depender da bancada ruralista, o presidente Jair Bolsonaro aproveita que o ministro da Educação, Ricardo Vélez, está pela bola sete para exonerar também o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Afinados com o filósofo Olavo de Carvalho, os dois se notabilizam mais pelas declarações polêmicas do que por ações efetivas nas pastas

Vacina Brasil

A campanha nacional de vacinação contra a gripe será lançada na próxima quarta-feira (10). A antecipação é um pedido de Estados do Sul, como Santa Catarina. No dia seguinte, o ministro Henrique Mandetta (Saúde) apresenta o Vacina Brasil, uma grande campanha de conscientização sobre a importância de manter em dia a carteirinha de imunizações.

Sintonia Fina

De olho nas eleições presidenciais de 2022, o governador de São Paulo, João Doria, aproveitou a plateia de empresários e políticos do Fórum Empresarial do Lide, em Campos do Jordão (SP), para fazer a defesa da reforma da Previdência. Em clima de palanque, discursou:

– Ativistas, vigaristas e comunistas, saibam que a maioria dos brasileiros, os brasileiros de bem, querem o Brasil crescendo. Estrela do encontro, aplaudido de pé, o ministro Paulo Guedes (Economia) atacou o sistema S, falou de investimentos, fez um apelo em nome da reforma e tirou selfies.

Deixe seu comentário:

publicidade