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Política

Secretário Nacional da Cultura reage a atos de censura e pede demissão

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Por Carolina Bahia
21/08/2019 - 16h20 - Atualizada em: 21/08/2019 - 16h24
Henrique Pires foi anunciado para a secretaria no final de dezembro (Foto: Divulgação)
Henrique Pires foi anunciado para a secretaria no final de dezembro (Foto: Divulgação)

O secretário nacional de Cultura, Henrique Pires, pediu demissão ao ministro da Cidadania, Osmar Terra, por não concordar com atos de censura do governo Bolsonaro que atingem o setor artístico. A secretaria é subordinada ao Ministério da Cidadania.

Para o gaúcho Henrique Pires, a gota d'água foi a suspensão de editais já contratados junto à Agência Nacional de Cinema (Ancine). O pedido de exoneração já está na Casa Civil e deve ser publicado na edição desta quinta-feira (22), no Diário Oficial da União.

Nesta quarta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro usou o Twitter para divulgar a decisão de suspender o edital com séries LGBT+ para televisões públicas.

A portaria que suspendeu o edital foi publicada na terça-feira (20). O processo, que prevê a categoria "diversidade de gênero" para documentários televisivos, foi criticado na semana passada pelo presidente, que atacou produções de temática LGBT+ que participam da seleção.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, na semana passada, Bolsonaro ressaltou que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) não irá liberar recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para projetos com a temática de sexualidade.

Ele ainda disse que se a agência reguladora "não tivesse, em sua cabeça toda, mandatos", já teria "degolado tudo". Hoje, a diretoria colegiada tem três pessoas com mandatos de quatro anos.

O Palácio do Planalto decidiu indicar para a quarta vaga a diplomata Paula Alves de Souza e quer torná-la diretora-presidente, em uma tentativa de afinar a atuação do órgão federal com o discurso conservador da atual administração.

As três produções audiovisuais criticadas pelo presidente foram: Transversais, Religare queer e Afronte. A primeira, aborda o cotidiano de cinco pessoas transgênero que moram no Ceará; enquanto a última mostra a realidade vivida por negros homossexuais no Distrito Federal.

Na semana passada, a Associação de Produtores Independentes do Audiovisual (API) se pronunciou contra as declarações do presidente e repudiou a postura dele. "Não cabe a ninguém, especialmente ao presidente de uma república democrática, censurar arte, projetos audiovisuais e filmes", afirmou.

*Com informações da Folhapress

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Colunista

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O olhar de Santa Catarina no dia a dia da política nacional. O que acontece em Brasília e os feitos no Estado das decisões tomadas na capital do país.

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