Me acostumei a ver tudo com ele. De perto, de longe, onde estivéssemos, falávamos sempre sobre os jogos, os grandes momentos, os craques, os perebas, os erros dos árbitros, os narradores insuportáveis, as figuras que apareciam entre os torcedores.
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]Desde 1970 foi assim. Esta Copa que começa hoje, na América do Norte, é a primeira que verei sem a companhia de meu pai. Confesso que tudo está bastante insosso.
Tinha 9 anos em 1970. Ele, 33. Eu torcedor do Botafogo. Ele, do Flamengo. Vimos juntos os seis jogos da seleção brasileira, em sua trajetória para o tricampeonato. Era um prazer ver Pelé, Tostão, Rivellino, Gérson, Jairzinho, Clodoaldo, PC Caju & Cia. Um desfile de talento, categoria, inteligência dentro de campo.
Na minha meninice, conseguia perceber a alegria nos olhos de meu pai, em cada gol, em cada drible, nos belíssimos gols perdidos pelo Rei, nos lançamentos do Canhotinha de Ouro, nas arrancadas do Furacão, nos chutes poderosos do Garoto do Parque.
Depois das vitórias, uma após a outra, saíamos pelas ruas para festejar. Tinha batucada, o Bloco da Vaca, criançada pulando, balões colorindo os céus do subúrbio do Rio de Janeiro. (Enquanto isso, a ditadura militar corria solta, prendendo, torturando, matando presos políticos por todo o país.)
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Meu pai nos deixou há pouco menos de um mês. Ver esta Copa sem trocar ideias com ele, sem ouvir seus comentários sobre os craques do passado, vai ser bastante diferente.
A Copa de 70 jamais sairá de minha alma, de minha mente, de meu coração.
Que saudade do deslumbrante saudosismo de meu pai.
- PS – Que vergonha são Trump e Infantino para o mundo. Que sujeitos patéticos, vergonhosos e desumanos.
- PS1 – Em tempos de Copa e de Oscar com filmes brasileiros, o “Pachequismo” se transforma numa coisa insuportável.

