Passadas duas semanas do xexelento circo que foi a convocação da Seleção, duas questões ainda me assombram como almas penadas. O que justifica chamar Neymar? E o que teria mudado na cabecinha de Carlo Ancelotti? “O que é que há?/O que é que tá/Se passando/Com essa cabeça?”, pergunta Fábio Júnior. 

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Comecemos pela segunda dúvida. O italiano passou um ano dizendo que convocaria apenas atletas em totais possibilidades de jogo. Em dez partidas antes da chamada decisiva para a Copa 2026, Menino Ney sequer foi lembrado uma vez. O pior: “Prof” Ancelotti mandava recadinhos diretos sobre a condição física ideal de seus jogadores.

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Exatamente sobre Menino Ney, ele não joga em alto nível desde Brasil e Croácia de 9 de dezembro de 2022. Sim, aquele jogo pelas quartas-de-final em que o Brasil foi eliminado pelos croatas no Catar. Aquele jogo em que Neymar atuou muito bem, mas não cobrou pênalti devido a uma decisão do Seu Adenor.

Desde então, dentro dos gramados a vida de Neymar é um desastre. (A vida dele fora de campo e suas imbecilidades não me interessam nem por uma moeda). PSG, Arábia Saudita, Santos, sucessão de insucessos e poucos jogos de futebol.

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Com tudo isso, mesmo com uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, Menino Ney está na Seleção. Teorias da conspiração foram criadas — cada uma mais patética do que a outra.

Caetano Veloso canta que de perto ninguém é normal. Ancelotti deve ter sentido o bafo quente da opinião pública na gola da camisa italiana bem cortada e bem passada. Acovardou-se, mostrou-se incoerente. E escolheu o conforto de ter um animador de ambiente na Seleção Brasileira.

Não o condeno. Acho que eu teria tomado a mesma decisão. De perto ninguém é mesmo normal.

PS: Respeitem a Alcione, uma das cantoras mais importantes da música brasileira.

Pitacos do Kaiser” é a seção no NSC Total em que o diretor de Conteúdo da NSC, César Seabra, traz opiniões curtas — e grossas — sobre a Seleção e sobre a Copa do Mundo