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Aeroporto de Navegantes se aproxima dos 2 milhões de passageiros em 2018

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Por Dagmara Spautz
17/11/2018 - 12h38 - Atualizada em: 17/11/2018 - 12h44
Foto: Patrick Rodrigues

O Aeroporto Ministro Victor Konder, em Navegantes, encerrará 2018 com o melhor ano da história. O número de passageiros aumentou 31% em relação a 2017 e pode chegar perto de 2 milhões até o fim de dezembro.

Na mesma velocidade que as estatísticas decolam, porém, aumenta a pressão pela melhora na infraestrutura, que aguarda recursos federais para o terminal poder alçar voos mais altos.

Nesta semana o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun, prometeu investimentos de R$ 80 milhões para obras de ampliação do aeroporto. O dinheiro viria do Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC).

Ele afirmou que o projeto já tem até data marcada para abertura de propostas, 15 de janeiro de 2019. A Infraero não confirmou o edital até o fechamento desta edição. Questionada sobre detalhes da licitação, a Secretaria de Governo não se manifestou.

Se confirmadas as promessas do ministro, a ordem de serviço para as obras será dada pelo novo governo. O terminal passaria dos 5,2 mil metros quadrados atuais para 13,7 mil. O pré- projeto prevê ainda triplicar o tamanho da atual – e apertada – sala de embarque e cria uma sala internacional. Hoje, os passageiros que voam para a Argentina usam um espaço adaptado.

Outra mudança é na área de locação de lojas e restaurantes, que aumentará de 855 para 1,3 mil metros quadrados.

As mudanças são necessárias para atender ao fluxo crescente de passageiros. No ano passado, por exemplo, a média de pessoas circulando pelo terminal em horário de pico foi de 676. Chegou a 830 em dias de maior movimento, um número muito acima do que comporta a atual estrutura.

– A parte de check- in é pequena, falta espaço de embarque. Precisamos urgentemente de um terminal novo em Navegantes para o aeroporto ser mais competitivo – diz o secretário de Turismo de Blumenau, Ricardo Stodieck.

A executiva Jacqueline Gonçalves Daroci, usuária frequente do aeroporto, diz que faltam banheiros na área de pré- embarque, a esteira de bagagens é pequena e não há túnel para proteger os passageiros da chuva.

Ela viaja a trabalho duas vezes por mês e a lazer pelo menos duas vezes por ano.

– Quando é período de férias e há mais voos, o local fica visivelmente lotado. É cansativo e estressa qualquer passageiro em espera. Já melhorou muito, mas pelo fluxo de turismo na região, merece um espaço maior – avalia Jacqueline.

Crescimento do turismo interno

Foto: Patrick Rodrigues
Foto: Patrick Rodrigues
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O fato é que a infraestrutura de Navegantes não acompanhou o movimento. A Infraero fez melhorias pontuais, mas falta espaço.

De 2012 a 2017, um período de cinco anos, houve aumento de 311 mil passageiros – 800 a mais por dia. A média de ocupação das aeronaves vai de 85% a 90% nos voos domésticos. Nas rotas internacionais, que fazem ligação três vezes por semana com a Argentina, a média fica acima de 90%.

A chegada de companhias aéreas e a abertura de novas rotas, inclusive com retomada dos voos internacionais, foram responsáveis pelo boom – mas não vieram sozinhas. A região vive um crescimento de turistas, fruto da realidade econômica do país, que fez muitos brasileiros trocarem viagens para o exterior por roteiros nacionais.

De olho nesse mercado, a região investiu na atração do turismo interno. Movimentos como o Visite BC e Região, capitaneado pelo Convention & Visitors Bureau de Balneário Camboriú, viajaram pelo país nos últimos anos para apresentar o Litoral e o Vale do Itajaí como destino turístico.

Some- se a isso o case do Beto Carrero World, em Penha, que apostou no turista brasileiro nos últimos anos. O parque tem mantido média de crescimento anual de dois dígitos. Em outubro, por exemplo, o número de visitantes que chegou ao parque por via aérea avançou 14%.

– Navegantes está muito bem localizada em relação ao turismo. Quanto mais o turismo se vende, maior o interesse de conhecer. O Beto Carrero é um dos grandes chamarizes, assim como Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau. Quanto mais essas áreas demonstram seus atrativos, maior o movimento no aeroporto – diz a superintendente da Infraero em Navegantes, Andrea Nandi.

Secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Miro Teixeira espera um upgrade na atração dos turistas internacionais com o início das operações da rota Navegantes- Foz do Iguaçu, a partir de dezembro. Todo o ano, a cidade paranaense é destino de visitantes de 150 países diferentes, todo ano. E uma conexão pode ser o empurrão que faltava para que o litoral catarinense conquiste mercado além do Mercosul.

– Um destino turístico depende dessa conexão. Nossa região turística depende muito do aeroporto, e de opções de voo – comenta o secretário.

Além do início das operações para Foz do Iguaçu, o terminal tem previsão de voos extras para Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro durante a temporada de verão.

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Movimento de cargas é o maior de SC

O turismo pode ser o impulsionador dos meses de maior movimento do Aeroporto de Navegantes, mas não está sozinho. A demanda de negócios também traz um grande volume de passageiros e de cargas.

O Terminal de Cargas ( Teca) do aeroporto está entre os principais do Sul do país – é o maior de SC –, com uma movimentação que oscilou nos últimos cinco anos entre 1,5 mil a 2 mil toneladas. Neste ano, ultrapassou em outubro a marca de 3 mil toneladas. Mais do que o peso, vale a movimentação financeira. Em 2017, o Teca Navegantes operou R$ 14,7 milhões em cargas de importação e exportação.

Desde junho, ele é operado pela PAC Logística e Hangaragem, empresa do Grupo Poly, com sede em Itajaí, que já gerencia terminais de carga aérea internacional nos aeroportos de Curitiba, Goiânia, Recife, São José dos Campos ( SP) e Vitória. A Infraero recebe R$ 993 mil mensais pela concessão, que prevê investimento de R$ 22 milhões na ampliação.

Ajuda terrestre completa a rota

Foto: Patrick Rodrigues
Foto: Patrick Rodrigues
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Curiosamente, a carga aérea de Navegantes chega prioritariamente pelo solo. A estrutura do aeroporto não comporta grandes aviões cargueiros. Assim, as encomendas são descarregadas em aeroportos como o de Guarulhos ( SP), e trazidas até Santa Catarina em caminhões. O problema poderia ser resolvido com uma nova pista.

O projeto existe há mais de 20 anos, mas aguarda recursos federais para terminar a fase de desapropriações.

O Ministério dos Transportes firmou, em janeiro do ano passado, um convênio de R$ 150 milhões com a prefeitura de Navegantes, para pagar as indenizações que faltam. O dinheiro seria enviado em quatro parcelas – até agora, nenhuma delas chegou.

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun, disse que o governo federal prefere tratar agora com verbas factíveis, referindo- se aos R$ 80 milhões para o novo terminal de passageiros.

– Estou trabalhando agora com recursos mais realistas, com um investimento que muito melhorará e está adequado às condições financeiras da própria Infraero. Em Campo Grande também havia expectativa de uma ampliação de R$ 122 milhões. Não existe nesse momento, no Estado e na Infraero, capacidade financeira para um investimento dessa monta.

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